Quatro meses após o primeiro atendimento veterinário, o caso da cachorra Antonieta — que ingeriu 55 pedras de crack em Joinville — ganhou novo capítulo: o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou denúncia criminal contra a ex-tutora do animal por maus-tratos. A denúncia, segundo o órgão, ainda não foi recebida pela Justiça.
Como o caso veio à tona
A história começou em 17 de abril, quando Antonieta, um buldogue francês de cerca de três meses, foi levada ao Centro Veterinário Floresta, na zona Sul de Joinville, após desenvolver quadro de intoxicação. Segundo relato da clínica, a cadela vomitou parte do conteúdo ao chegar e, durante a internação, exames de imagem — como raio‑x e ultrassonografia — apontaram a presença de mais corpo estranho no estômago.
De acordo com o MPSC, o atendimento inicial e o relato da família da acusada foram fundamentais para identificar que o material ingerido era crack embalado em porções: ao todo, 55 pedras foram contabilizadas.
Medidas pedidas pelo Ministério Público
Na denúncia, o MPSC afirma que a ex-tutora mantinha a droga em local acessível à cadela, o que teria permitido o contato e a ingestão. Além da pretensão de responsabilização penal, a 21ª Promotoria de Justiça requereu medidas de reparação civil:
- fixação de indenização mínima de R$ 38.362,02 por danos materiais e extrapatrimoniais sofridos pelo animal;
- perdimento definitivo da guarda da cadela em favor do órgão competente de proteção animal.
“A omissão da tutora foi determinante para o sofrimento do animal, que, na condição de garantidora da integridade da cadela, submeteu Antonieta a intenso sofrimento físico, comprometendo gravemente...”
O trecho acima integra a própria denúncia apresentada pelo promotor e destaca a tese do MPSC de que a omissão da tutora foi fator decisivo para o sofrimento do animal.
Contexto e consequências locais
O caso chama atenção para dois vetores de interesse público em Joinville: a segurança quanto ao armazenamento e manejo de entorpecentes em residências e a proteção animal. Veterinários e entidades de defesa dos animais costumam reforçar que a ingestão de drogas representa risco imediato de morte, exigindo atendimento emergencial e cuidados intensivos.
Do ponto de vista jurídico, a ação do MPSC sinaliza a utilização combinada das esferas penal e civil para responsabilizar tutores por omissão e maus-tratos. Se a denúncia for recebida pela Justiça, haverá tramitação processual com possibilidade de produção de provas, audiências e, eventualmente, condenação ou absolvição conforme os elementos apresentados.
| Data | Evento |
|---|---|
| 17 de abril | Antonieta é atendida no Centro Veterinário Floresta; parte das 55 pedras de crack é vomitada |
| 18 de agosto | MPSC denuncia ex-tutora por maus-tratos; pede indenização e perda da guarda |
Autoridades e entidades locais podem usar o episódio para reforçar campanhas de conscientização sobre o armazenamento seguro de substâncias ilícitas e sobre responsabilidades de quem convive com animais domésticos. Em termos institucionais, o pedido de perdimento da guarda coloca a necessidade de articulação entre o judiciário e órgãos de proteção animal para assegurar o bem-estar de Antonieta caso a perda de guarda seja decretada.
O caso segue sob acompanhamento do Ministério Público e, conforme informado pelo MPSC, aguarda a tramitação judicial para que a denúncia seja analisada pelo Judiciário, quando então serão definidas próximas etapas processuais.
O episódio reforça a atenção que moradores de Joinville e profissionais de saúde animal devem ter com sinais de intoxicação em animais de estimação, e a importância da checagem por veterinários diante de sintomas agudos.