A Prefeitura de Curitiba publicou no Diário Oficial da Indústria e Comércio, nesta quarta-feira (19), o edital de licitação que definirá a nova concessão do transporte coletivo da capital. O processo, considerado bilionário pela administração municipal, prevê investimentos de R$ 3,9 bilhões e contratos com duração de 15 anos.
Estrutura da concessão e cronograma
O aviso de licitação organiza a concessão em cinco lotes operacionais e estabelece prazos para entrega de propostas e realização do leilão. As propostas deverão ser protocoladas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) no dia 17 de novembro de 2026. O leilão está marcado para o dia 26 de novembro de 2026, às 10 horas, também na B3.
Conteúdo técnico e parcerias
O projeto foi elaborado pela Prefeitura em parceria com o BNDES e teve análise prévia do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR). A publicação do edital ocorreu após período de impasse judicial provocado por ações do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp), que questionou o andamento da concorrência e pleiteou a conclusão de estudos de vantajosidade para avaliar eventual prorrogação dos contratos vigentes. Segundo a Prefeitura, a liberação do edital só foi possível depois de autorização da Justiça.
Prioridades do novo modelo: frota e sustentabilidade
A nova concessão dá prioridade à modernização da frota, com ênfase em tecnologias de baixa emissão de poluentes e sustentabilidade. O modelo previsto busca combinar linhas estruturais, com atendimento expresso, e linhas regionais que sirvam de alimentadoras e convivas ao tecido urbano, aproximando serviços dos bairros.
Divisão dos lotes e linhas previstas
Dos cinco lotes programados, dois são destinados às linhas estruturais do sistema (expressos, Linha Direta e Ligeirões):
- BRT1: 20 linhas, com atendimento predominante à região Sul;
- BRT2: 17 linhas, voltado principalmente às regiões Norte e Oeste.
Os demais três lotes têm caráter regional, com duração de atendimento mais próximo aos bairros e operação de linhas alimentadoras e convencionais. A organização apresentada no edital descreve a distribuição de linhas por lote:
| Lote | Número de linhas |
|---|---|
| Norte | 100 |
| Sul | 92 |
| Oeste | 84 |
O projeto também prevê a criação de quatro novas linhas para conectar terminais e melhorar a integração entre regiões da cidade. Entre as ligações anunciadas estão:
- Terminal Tatuquara – Terminal Carmo;
- Terminal Pinheirinho – Terminal Centenário;
- Terminal Portão – Terminal Capão da Imb (como indicado no edital).
Impactos locais e próximos passos
A expectativa é de que a concessão, ao priorizar renovação de frota e tecnologias menos poluentes, tenha efeitos diretos na qualidade do ar e no conforto das viagens para usuários da Região Metropolitana e bairros de Curitiba. Para empresários e trabalhadores do setor, a divisão em lotes e a duração contratual de 15 anos podem significar mudanças na estrutura de operação, necessidade de investimentos e adaptação de rotas.
“A publicação do edital foi autorizada pela Justiça após questionamentos; o projeto contou com parceria do BNDES e análise do TCE-PR”, diz o documento municipal.
Com a entrega de propostas prevista para novembro, os próximos meses serão decisivos para definir consórcios ou empresas vencedoras, as condições contratuais detalhadas e o cronograma de implementação das mudanças. Moradores e entidades de defesa do consumidor devem acompanhar as audiências e etapas seguintes para avaliar como as alterações refletirão no serviço diário e nas tarifas.
A formalização do processo no Diário Oficial marca o encerramento de uma fase de incerteza e o início de um período em que aspectos técnicos, jurídicos e econômicos vão delinear o futuro do transporte coletivo em Curitiba.