Curitiba se despede neste agosto de uma figura central da memória e das tradições do movimento negro local. Morreu, no domingo (16), aos 80 anos o senhor Álvaro da Silva, presidente da Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio, associação fundada por ex-escravizados e considerada um polo de resistência e identidade negra no estado.
Internação e despedida
Segundo publicação local, Álvaro estava internado no Hospital das Clínicas antes do falecimento. A causa da morte não foi divulgada pelas fontes disponíveis. O velório foi marcado para a Capela 01 do Cemitério Municipal Água Verde e o sepultamento ocorreu no Cemitério São Francisco de Paula, às 16h da segunda-feira seguinte ao óbito.
Legado na Sociedade Operária 13 de Maio
Conhecido popularmente como “Seu Álvaro”, ele presidia a Sociedade Operária 13 de Maio e tinha trajetória familiar longa ligada ao clube. Natural de Santa Catarina, frequentava a entidade desde os nove anos de idade, acompanhando a atuação do pai, Euclides da Silva, que presidiu a Sociedade por mais de 20 anos, conforme registro no livro Paraná Preto.
A presidência de Álvaro na 13 durou décadas: relatos locais apontam para 50 anos de mandato, período em que o clube se consolidou como centro cultural e de sociabilidade para a comunidade negra de Curitiba. A perda, por isso, foi sentida por distintas frentes civis, culturais e festivas da cidade.
Repercussão e homenagens
O falecimento repercutiu entre integrantes do Movimento Negro do Paraná e de segmentos do samba e blocos carnavalescos. Em publicações, a página da Sociedade destacou que Álvaro conduziu a instituição com:
“dedicação, amor e carinho”
O bloco de samba Boca Negra também prestou homenagem, ressaltando a atuação do dirigente para preservar o local e sua história:
“preservar o legado de sua família e a importância histórica daquele espaço”. Outros artistas e grupos — como Sassa Mutema (do Pagode da Sassa), Samba do Sindicatis e Samba do Camisa — manifestaram pesar e lembraram a firmeza do dirigente.
- Idade: 80 anos
- Local de internação: Hospital das Clínicas (Curitiba)
- Velório: Capela 01, Cemitério Municipal Água Verde
- Sepultamento: Cemitério São Francisco de Paula — segunda-feira, 16h
Importância local e memória
Para Curitiba, a perda representa o fim de um ciclo de liderança em uma das associações históricas vinculadas às comunidades negras do estado. A Sociedade Operária 13 de Maio é apontada por pesquisadores e atores culturais como um dos redutos de resistência negra no Brasil, por sua origem e pela manutenção de práticas sociais, festejos e memória coletiva.
O falecimento de Álvaro reacende a discussão sobre a preservação de espaços comunitários e a continuidade de lideranças que garantem a transmissão intergeracional de saberes e rituais. Para muitos moradoras e moradores da cidade, manter o legado da 13 de Maio passa por fortalecer a gestão associativa, a documentação da história oral e a visibilidade das práticas culturais que a instituição abriga.
| Evento | Local | Data/Hora |
|---|---|---|
| Falecimento | Hospital das Clínicas (Curitiba) | 16 de agosto de 2026 |
| Velório | Capela 01, Cemitério Municipal Água Verde | Segunda-feira, 17 de agosto de 2026 |
| Sepultamento | Cemitério São Francisco de Paula | Segunda-feira, 17 de agosto de 2026 — 16h |
A perda de Álvaro foi registrada em notícias locais e gerou notas de pesar de coletivos e artistas que acompanharam a atuação dele ao longo das últimas décadas. As homenagens destacam não apenas o papel administrativo do dirigente, mas também seu comprometimento em manter um espaço de convivência, memória e resistência para as comunidades negras de Curitiba e região.