Expansão concentrada no Centro
O Centro de Curitiba vive um crescimento expressivo no setor de cafeterias e estabelecimentos afins. Dados da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento apontam que, de janeiro a agosto deste ano, foram abertos 662 novos espaços — incluindo casas de chá e de sucos — um aumento de 23,5% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo o levantamento, a região central já contabiliza mais de mil estabelecimentos do segmento.
Fatores que impulsionaram o crescimento
O crescimento do segmento na área central começou no pós-pandemia de Covid-19 e ganhou força no último ano, em grande parte como reflexo das ações do programa Curitiba De Volta ao Centro. A iniciativa municipal, segundo a prefeitura, combina investimentos diretos na região e redução de burocracia para abertura de novos negócios, favorecendo a instalação de cafeterias e espaços gastronômicos.
Com o mercado aquecido, os empreendedores procuram diferenciais para atrair e fidelizar clientes. Entre as estratégias citadas no levantamento estão a torrefação própria, eventos de degustação e a oferta integrada de gastronomia e coquetelaria.
- 662 novos pontos abertos entre janeiro e agosto;
- 23,5% de crescimento em relação ao mesmo período de 2025;
- Centro de Curitiba com mais de 1.000 estabelecimentos do segmento.
Exemplos locais e inovação
O estudo cita estabelecimentos que ilustram a tendência. Na Rua São Francisco, o Royalty Café nasceu a partir de um negócio de torrefação de cafés especiais criado pelos sócios Zeca Dominico e Daniel Munari. O espaço, que combina cafeteria, gastronomia e coquetelaria, recentemente dobrou de tamanho ao incorporar uma área vizinha onde funcionava um restaurante.
“A nossa aposta é na permanente inovação. Não dá para se acomodar. Por isso, temos o que chamo de ‘cozinha inquieta’, sempre em busca de novidades”, afirmou o sócio Daniel Munari.
Além de ampliar a área física, o Royalty promove uma vez por mês um evento de torrefação aberta com degustação gratuita, ação que aproxima o público do processo produtivo e contribui para fidelização. Outra referência citada é a Manana, na Rua Desembargador Ermelino de Leão, idealizada pela designer Dora Suh e pelo barista Vitor Coelho; o estabelecimento também aposta na torrefação como diferencial.
Impactos econômicos e urbanos
O aumento do número de cafeterias no Centro tem efeitos diretos sobre a economia local: incrementa a ocupação comercial, gera demanda por fornecedores locais (torradores, padarias, produtores de leite e insumos), e pode atrair maior fluxo de pedestres, beneficiando outros segmentos do comércio. Ao mesmo tempo, o fenômeno impõe desafios, como a necessidade de manutenção do espaço público, oferta de infraestrutura e gestão do tráfego de clientes em áreas já densas.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Novos estabelecimentos (jan–ago) | 662 |
| Crescimento (%) | 23,5% vs 2025 |
| Total de cafeterias no Centro | Mais de 1.000 |
Perspectiva para moradores e empreendedores
Para os moradores, a maior oferta traduz-se em mais opções de consumo e em atividades culturais e econômicas na região central. Para os empreendedores, o cenário exige inovação constante e uso de estratégias de diferenciação — torrefação própria, eventos, fusão com gastronomia e coquetelaria — para se manter competitivo num mercado aquecido.
O monitoramento do setor e ações municipais que facilitem a formalização e a convivência entre comércio e uso público serão determinantes para que o crescimento seja sustentável e beneficie a diversidade econômica do Centro de Curitiba.