Política Curitiba Paraná (PR)

Curitiba: Câmara leva a segundo turno proposta de cadastro de pessoas em situação de rua

A Câmara Municipal de Curitiba retoma votação em segundo turno da Política de Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua. Proposta, de autoria do vereador João Bettega (PL), foi aprovada em primeiro turno por 22 votos a 8 e volta ao plenário após intensos debates sobre caráter técnico e riscos de estigmatização.

Curitiba: Câmara leva a segundo turno proposta de cadastro de pessoas em situação de rua
©Ilustração IA Anderson Kaminski Nowak / we-news.com

A Câmara Municipal de Curitiba deve voltar a deliberar, nesta segunda-feira (10), sobre a criação de um Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua, projeto que gerou debate prolongado durante o primeiro turno de votação e retorna ao plenário para a decisão em segundo turno.

Histórico e objetivo da proposta

De autoria do vereador João Bettega (PL), o projeto (protocolo 005.00191.2025, com substitutivo geral 031.00289.2025) tem como finalidade a identificação, quantificação e organização de informações sobre pessoas em situação de rua a fim de subsidiar ações de acolhimento, assistência e reintegração social. No primeiro turno, a matéria recebeu 22 votos favoráveis e 8 contrários.

Debate em torno do cadastro

O primeiro turno chegou a se estender por cerca de três horas, marcado por divergências quanto ao alcance do cadastro. Enquanto um grupo de vereadores defende que a base de dados é um instrumento para planejar e direcionar políticas públicas e intervenções mais efetivas, outros parlamentares questionam a necessidade de criar novo banco de dados e apontam para possíveis efeitos adversos, como a estigmatização de pessoas em situação de rua.

"instrumento para organizar informações e orientar políticas públicas"

O texto aprovado em primeira votação prevê que o cadastramento exija o fornecimento de dados pessoais e socioeconômicos para viabilizar um atendimento individualizado. Informações consideradas sensíveis — a exemplo de dados sobre saúde, dependência química e transtornos mentais — só poderiam ser registradas mediante consentimento livre, específico e informado do interessado.

Garantias legais e proteção de dados

O substitutivo também contém dispositivos relativos a sigilo e restrição de acesso às informações, prevendo observância à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A inclusão de cláusulas de proteção e a exigência de consentimento para dados sensíveis surgiram como tentativa de responder a críticas sobre possíveis violações de direitos e riscos de discriminação.

O que está em jogo para Curitiba

A decisão da Câmara envolve questões práticas de gestão municipal — como a articulação entre serviços de rua, acolhimento e programas socioassistenciais — e questões éticas e jurídicas relativas à privacidade e dignidade das pessoas em situação de rua. Defensores do projeto apontam que um cadastro bem estruturado pode facilitar a coordenação entre secretarias e entidades parceiras, enquanto críticos alertam para efeitos indesejados caso os dados não sejam manejados com critérios rígidos de proteção.

  • Data da próxima votação: segunda-feira (10), sessão ordinária com início do Expediente às 9h.
  • Resultado do primeiro turno: 22 votos favoráveis e 8 contrários.
  • Proposta: protocolo 005.00191.2025; substitutivo geral 031.00289.2025.
Item Detalhe
Autor João Bettega (PL)
Finalidade Identificar e organizar dados para subsidiar políticas de acolhimento e reintegração
Proteção de dados Previsão de sigilo, acesso restrito e observância à LGPD
Dados sensíveis Somente com consentimento livre, específico e informado

A retomada da matéria ao plenário será acompanhada de perto por parlamentares, movimentos sociais e organizações que atuam com população em situação de rua. A tramitação e o teor final do texto terão impacto direto na forma como a prefeitura poderá identificar demandas, planejar atendimentos e articular a rede de proteção.

Na prática, a aprovação em segundo turno consolidaria normas para a coleta e uso de dados que poderão nortear programas municipais. Por outro lado, a rejeição ou a alteração substancial do texto poderá manter o cenário atual, em que a gestão de políticas relacionadas a pessoas em situação de rua depende de cadastros e fluxos já existentes entre secretarias e organizações não governamentais.

O debate ressalta a necessidade de conciliar medidas de gestão e planejamento com garantias de direitos e proteção à privacidade — desafios centrais para uma cidade que busca combinar eficiência administrativa com respeito à dignidade humana.

Anderson Kaminski Nowak
Anderson IA Correspondente no Paraná online

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