O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio Grande do Sul (Iphan/RS) e o Bacharelado em Arqueologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) firmaram um convênio considerado inédito para o mapeamento do patrimônio arqueológico relacionado ao tropeirismo no Rio Grande do Sul. A iniciativa terá foco em sítios localizados nos municípios de Bom Jesus, São José dos Ausentes, São Francisco de Paula e Santo Antônio da Patrulha.
Objetivo e âmbito do trabalho
Segundo o Iphan/RS, o acordo combina a estrutura de ensino e pesquisa da universidade com a atuação da autarquia na identificação, preservação e gestão do patrimônio. O propósito é ampliar o conhecimento sobre as rotas históricas usadas por tropeiros e documentar os vestígios materiais que permaneceram na paisagem, contribuindo para a compreensão das relações entre essas redes de circulação e a formação histórica, econômica e cultural do Estado.
O convênio tem duração prevista de oito meses e foi desenhado em três etapas que contemplam pesquisa bibliográfica, trabalho de campo e sistematização dos dados. Além de registrar e delimitar sítios, os levantamentos devem avaliar o estado de conservação e o potencial de visitação, com vistas à inclusão no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG) do Iphan.
Etapas do projeto
| Etapa | Principais ações |
|---|---|
| 1 — Pesquisa documental | Levantamento bibliográfico, identificação de referências e sítios já citados, contextualização histórica das paisagens |
| 2 — Trabalho de campo | Localização, delimitação, georreferenciamento, registro fotográfico e avaliação de conservação |
| 3 — Sistematização | Organização das informações, produção de resultados e atualização/entrada no SICG |
O registro fotográfico, o georreferenciamento e a avaliação técnica das condições dos sítios são procedimentos previstos explicitamente para garantir que os dados obtidos sejam compatíveis com os padrões exigidos pelo instituto federal.
Por que é relevante
As estruturas associadas ao tropeirismo — como corredores de tropa, currais e outras construções em pedra — representam fragmentos de uma rede de circulação que marcou a economia e a sociabilidade regional por séculos. O estudo desses vestígios permite reconstruir rotas, práticas de transporte animal e interações entre comunidades rurais, bem como subsidiar políticas públicas de proteção e de uso sustentável desses locais.
O caráter pioneiro do convênio no Rio Grande do Sul também é destacado pelo Iphan/RS: trata-se do primeiro acordo desse formato assinado pela autarquia no estado na área de Arqueologia, o que pode abrir precedentes para parcerias semelhantes entre instituições acadêmicas e órgãos de preservação.
Impactos locais e potenciais desdobramentos
Além do ganho científico, o mapeamento pode influenciar decisões sobre planejamento territorial, obras e atividades econômicas que interfiram em áreas com vestígios arqueológicos. A inclusão de sítios no SICG torna possível um monitoramento mais efetivo e cria base para ações de conservação e, eventualmente, de fomento ao turismo cultural, sempre com avaliação do impacto e da capacidade de visitação.
- Proteção: maior capacidade de identificação de áreas sensíveis antes de intervenções.
- Pesquisa: geração de dados que enriquecem estudos sobre circulação e economia histórica.
- Gestão: atualização do cadastro do Iphan e suporte técnico para políticas locais.
O trabalho em campo nos quatro municípios reunirá técnicos e pesquisadores com protocolos de registro que possibilitam a integração dos resultados ao banco de dados federal, favorecendo a continuidade de estudos e a articulação com órgãos estaduais e municipais.
Transparência e próximos passos
O resultado final do convênio deverá ser compilado em relatórios técnicos que sirvam de subsídio para a atualização do SICG e para a divulgação dos achados. A parceria prevê ainda a produção de material de comunicação e a disseminação das informações entre instituições interessadas na proteção do patrimônio.
Para comunidades locais e gestores públicos, a iniciativa representa uma oportunidade para reconhecer e preservar elementos materiais da memória das rotas tropeiras, enquanto fornece dados técnicos que orientem ações de curto e médio prazo voltadas à conservação e ao uso sustentável desses sítios.