O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná divulgou relatório semanal apontando que as chuvas frequentes e a elevada umidade dos grãos têm atrasado e irregularizado a colheita da saifrinha e afetado o desenvolvimento das culturas de inverno, em especial o trigo.
Situação atual da colheita e entraves logísticos
Segundo o boletim, as operações de colheita seguem em ritmo desigual conforme as condições climáticas regionais. A colheita de batata está praticamente concluída, com 94% das áreas colhidas, e o milho 2ª safra apresenta 60% das lavouras com colheita realizada. No entanto, as chuvas têm interrompido atividades no campo e dificultado o recebimento nas cooperativas e cerealistas.
O excesso de umidade obriga muitas unidades a priorizar secagem ou redirecionar cargas para outras instalações. Em alguns casos, produtores optam por armazenamento temporário no próprio estabelecimento na espera de condições melhores para transporte ou processamento.
Perdas de qualidade e variação de produtividade
O relatório aponta que, nas áreas mais atingidas por chuvas excessivas — e também por estresses climáticos ocorridos durante o ciclo, como estiagens e geadas — foram registradas redução de produtividade e perdas de qualidade. Há ocorrência de grãos ardidos e avariados, além de cargas que chegaram a ser rejeitadas por unidades recebedoras.
"As chuvas frequentes e a elevada umidade dos grãos têm interrompido as operações e dificultado o recebimento e a secagem em cooperativas e cerealistas"
Em contrapartida, o Deral ressalta que, em outras localidades do estado, os rendimentos permanecem dentro do esperado, indicando grande heterogeneidade entre regiões produtoras.
Desenvolvimento das culturas de inverno
Para as lavouras de inverno, o boletim traz o panorama do trigo e da cevada. O trigo apresenta fases distribuídas entre desenvolvimento vegetativo, emborrachamento/elongação, florescimento, frutificação e início de maturação, com condições consideradas favoráveis na maior parte do estado. Contudo, já se observa amarelamento em áreas afetadas pelo excesso de umidade, condição que pode comprometer fases futuras da cultura. Também foram verificados acamamentos localizados por ventos e maior incidência de oídio.
| Cultura | Etapas destacadas |
|---|---|
| Milho (2ª safra) | 60% colhido; predominância em maturação; colheita irregular |
| Batata | 94% colhida |
| Trigo | 2% maturação, 46% frutificação, 25% floração, 27% vegetativo |
| Cevada | 13% frutificação, 23% floração, 64% vegetativo |
Medidas em campo e perspectivas para a próxima safra
Parte dos produtores já iniciou a dessecação de adubações verdes para preparar a área à próxima safra de verão. Ao mesmo tempo, há preocupação com a possibilidade de antecipação da semeadura diante da previsão de chuvas volumosas, que pode alterar calendário agrícola e práticas de manejo.
As dificuldades de secagem e recepção de grãos também pressionam a logística de armazenagem e comercialização. Cooperativas e cerealistas enfrentam o dilema de priorizar secagem ou redistribuição de cargas, o que envolve custos adicionais e planejamento operacional para evitar perdas maiores.
Impactos econômicos e sociais no estado
O atraso e a irregularidade na colheita repercutem além do campo: afetam o fluxo de caminhões nas estradas, a capacidade de unidades de beneficiamento e o cronograma de pagamento aos produtores. Em regiões onde a produtividade foi reduzida, há risco de diminuição da renda rural no curto prazo, com impacto direto nas cidades do interior que dependem da cadeia agrícola.
Recomendações e acompanhamento
O Deral e órgãos de assistência técnica acompanham as áreas mais sensíveis, mas o boletim destaca a necessidade de monitoramento contínuo das lavouras e de medidas de manejo para mitigar a perda de qualidade. Produtores devem avaliar a condição dos lotes antes do transporte para reduzir rejeições e planejar a secagem conforme a capacidade disponível.
O panorama divulgado pelo Deral evidencia a diversidade de situações nas colheitas paranaenses nesta temporada: enquanto algumas áreas avançam sem maiores problemas, outras lidam com desafios climáticos que exigem adaptação rápida e coordenação entre produtores, cooperativas e autoridades estaduais para reduzir impactos econômicos e sanitários.
Anderson Kaminski Nowak, Correspondente no Paraná — WE NEWS