O custo da cesta básica em Caxias do Sul registrou nova alta em agosto, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (Ipes) da Universidade de Caxias do Sul (UCS). O valor médio para aquisição dos 47 itens que compõem a cesta foi de R$ 1.643,57, o que representa um aumento de 1,22% em relação a julho e permanece acima do salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621.
Impacto real no orçamento familiar
Na prática, a alta de agosto significa mais R$ 19,74 necessários para a compra da cesta em comparação ao mês anterior. Ao comparar com o mesmo período do ano anterior, a pesquisa da UCS aponta alta acumulada de 6,75%: em agosto de 2025, o custo somava R$ 1.539,68, enquanto agora alcança R$ 1.643,57. A composição dessa elevação traz indicações importantes sobre a direção da pressão inflacionária local.
"o principal responsável pela alta não foi um alimento, mas um produto não alimentício: o cigarro."
O estudo destaca que, além do crescimento dos preços de alguns alimentos, produtos não alimentares ganharam peso no custo total da cesta. A participação desses itens no orçamento familiar saltou de 16,3% em agosto do ano passado para 18% em agosto deste ano, influenciada principalmente pelo aumento expressivo no preço do cigarro.
Produtos que puxaram alta e queda
Do total de 47 produtos pesquisados, 21 registraram aumento, 25 caíram de preço e 1 manteve o valor inalterado. Entre os destaques das altas estão itens de higiene pessoal e determinados alimentos:
- Cigarro: alta de 65,03% (principal responsável pela elevação geral).
- Creme dental: aumento de 10,97%.
- Xampu: aumento de 7,51%.
- Alface: alta de 12,05% entre os alimentos.
- Pão de forma: alta de 7,91%.
Em contrapartida, alguns produtos apresentaram recuo relevante nos preços, contribuindo para atenuar parcialmente a alta global:
- Batata inglesa: queda de 33,71%.
- Mamão: queda de 16,12%.
- Cebola: queda de 10,63%.
- Apresuntado: queda de 8,56%.
- Leite condensado: queda de 7,03%.
Consequências e leitura local
A combinação de aumentos em itens não alimentares e a persistência de preços elevados para determinados alimentos pressiona famílias que já convivem com margens reduzidas de consumo. O fato de a cesta básica superar o salário mínimo evidencia a diminuição do poder de compra real para trabalhadores que recebem a remuneração mínima e para famílias que dependem de benefícios indexados a esse piso.
Para moradores de Caxias do Sul, a novidade no perfil da inflação — com peso maior de itens como cigarros e produtos de higiene — implica mudanças na composição do orçamento doméstico: a escalada dos não alimentares tende a reduzir a capacidade de realocação do gasto para alimentos básicos, transporte ou educação.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Custo da cesta (agosto) | R$ 1.643,57 |
| Variação mensal (agosto vs julho) | +1,22% |
| Diferença em reais (mês) | +R$ 19,74 |
| Salário mínimo | R$ 1.621,00 |
| Variação anual (ago/25 -> ago/26) | +6,75% |
O levantamento da UCS fornece subsídios importantes para políticas públicas e para a definição de medidas assistenciais municipais e estaduais. À medida que itens não alimentares passam a representar fatias maiores do custo familiar, programas voltados exclusivamente à alimentação podem não ser suficientes para proteger as famílias mais vulneráveis.
Moradores e organizações sociais de Caxias do Sul acompanham os números com atenção, buscando alternativas de mitigação — como compra coletiva, feiras locais e ações comunitárias — enquantocles responsáveis por políticas públicas avaliam ajustes em programas de transferência de renda e em iniciativas de combate à inflação de produtos essenciais.
O Ipes da UCS segue publicando mensalmente o detalhamento dos 47 itens pesquisados, permitindo o acompanhamento de tendências que afetam diretamente a vida cotidiana na cidade e sua região.