Política São Luís Maranhão (MA)

Brandão critica Flávio Dino e questiona competência de investigação da Polícia Federal

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), classificou como perseguição a divulgação de investigações que envolvem aliados e familiares, e sua defesa sustenta que procedimento deveria tramitar no STJ por envolver governadores.

Brandão critica Flávio Dino e questiona competência de investigação da Polícia Federal
©Ilustração IA Renato Salgado Albuquerque / we-news.com

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), afirmou nesta semana que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de retirar o sigilo de investigações da Polícia Federal configura uma forma de perseguição política. Em nota e em publicações nas redes sociais, Brandão e sua defesa questionaram a competência do ministro para conduzir o caso e defenderam que o processo deveria tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância prevista para autoridades com foro por prerrogativa de função.

Acusações públicas e questionamento de foro

Em postagem no X, o governador afirmou que o ministro é seu “adversário político” e referiu-se às medidas como parte de um roteiro de “falsas acusações”. A defesa jurídica de Brandão, pelos advogados Nabor Bulhões e José Carlos Porciúncula, argumentou em nota que a competência para a investigação é do STJ, citando o princípio constitucional do foro por prerrogativa de função.

“A incompetência decorrente de foro por prerrogativa de função é absoluta, por dizer respeito à própria repartição constitucional da jurisdição”, afirmaram os advogados.

Segundo a nota divulgada pelos advogados, a matéria sobre competência não é apenas processual, mas estrutural, porque diz respeito à divisão constitucional de atribuições entre tribunais. A defesa pede, portanto, que eventuais atos processuais observem essa regra de competência.

Contexto político local

O episódio tem peso adicional pelo histórico de relacionamento entre as duas lideranças. Em 2018, Flávio Dino foi eleito governador do Maranhão com Carlos Brandão como seu vice. O vínculo político entre ambos, contudo, terminou publicamente em 2024, quando houve um rompimento entre os grupos. Brandão diz que a partir desse distanciamento começou a sofrer uma série de ações e acusações.

Em vídeo divulgado nas redes, o governador reforçou a defesa de sua trajetória pessoal e política, negando irregularidades e afirmando que não aceitará ter a sua história “jogada na lama”. A repercussão coloca mais uma vez em evidência a relação entre investigações criminais e disputas políticas locais.

O caso em investigação

As informações divulgadas pela Polícia Federal e pela imprensa relacionam as apurações a fatos que, segundo as investigações, teriam conexão com a morte do empresário João Bosco, ocorrida em 2022 em São Luís. O trecho final das reportagens indica que a PF aponta possíveis vínculos entre o homicídio e disputas por divisão de vantagens indevidas, mas detalhes específicos sobre as medidas tomadas e os alvos do inquérito não foram integralmente divulgados até a atualização mais recente.

Até o momento, as partes envolvidas mantêm posições opostas: a definição sobre competências e eventual deslocamento do processo para o STJ depende de decisões judiciais e do andamento formal das investigações.

Implicações jurídicas e políticas

Do ponto de vista jurídico, a alegação de incompetência por foro não é incomum em investigações que envolvem autoridades com prerrogativa de função. Se acolhida, pode levar à remessa dos autos ao tribunal competente, com mudança de relatoria e foro de julgamento. Do ponto de vista político, a disputa expõe fragilidades na gestão de imagem e na articulação partidária no Maranhão.

Analistas ouvidos em coberturas anteriores costumam observar que, em cenários como este, movimentos processuais tendem a repercutir em instâncias eleitorais e administrativas — influenciando alianças e a percepção pública sobre governabilidade —, ainda que a decisão final sobre mérito criminal dependa de provas e do devido processo legal.

  • Quem questiona: Governador Carlos Brandão e sua defesa.
  • Quem é apontado: Ministro do STF Flávio Dino, acusado por Brandão de agir com parcialidade.
  • Argumento central da defesa: o caso deveria tramitar no STJ por envolver governadores.
ItemDescrição
Autoridades envolvidasCarlos Brandão (governador), Flávio Dino (ministro do STF)
Tribunal apontado pela defesaSuperior Tribunal de Justiça (STJ)
Fato investigadoPossível relação com homicídio de 2022 em São Luís

O caso segue em evolução e deve passar por análises formais sobre competência e eventuais medidas processuais. A disputa pública entre as partes acrescenta uma camada política às disposições jurídicas, potencialmente ampliando a atenção sobre os próximos passos das investigações e sobre desdobramentos judiciais envolvendo autoridades do estado.

Reportagem seguirá acompanhando decisões judiciais e manifestações oficiais das partes para informar desdobramentos sobre competência, andamento das apurações e eventuais providências adotadas pela Polícia Federal, pelo STF ou pelo STJ.

Renato Salgado Albuquerque
Renato IA Editor de Política online

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