O Acre permanece entre as unidades da Federação com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em níveis de alerta, risco ou alto risco, segundo a edição mais recente do Boletim InfoGripe, publicado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O levantamento refere‑se à Semana Epidemiológica 31, que abrange o período de 2 a 8 de agosto.
Situação no estado e na capital
Embora o estado figure entre 14 unidades federativas com indicadores elevados de SRAG, a análise da tendência temporal apresenta sinais contrastantes entre municípios. Na capital, Rio Branco, a Fiocruz não identificou aumento consistente no número de casos nas últimas seis semanas avaliadas pelo sistema InfoGripe.
O boletim ressalta que, diferentemente de outras capitais como Belém (PA) e Porto Velho (RO) — que mostram tendência de crescimento no longo prazo —, Rio Branco integra um grupo de capitais com incidência elevada, porém sem tendência de alta. Entre essas capitais também estão Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Manaus (AM) e São Luís (MA).
Agentes respiratórios em circulação
Na soma das amostras positivas das últimas quatro semanas, o vírus sincicial respiratório (VSR) foi o agente predominante, respondendo por 50,4% dos casos com diagnóstico laboratorial. Em seguida aparecem o rinovírus com 29%, o influenza B com 9,2%, o influenza A com 6,5% e o Sars‑CoV‑2, agente da Covid‑19, com 1,6%.
Apesar da predominância recente do VSR e de sinais de queda para esse vírus em nível nacional, a Fiocruz alerta que os níveis de incidência ainda permanecem elevados em alguns estados, o que exige vigilância contínua.
- Período analisado: Semana Epidemiológica 31 (2 a 8 de agosto)
- Unidades com níveis elevados: 14 estados
- Capitais com incidência elevada sem tendência de alta: Rio Branco, Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Manaus e São Luís
Dados nacionais resumidos
No acumulado de 2026, o boletim reportou 133.709 notificações de SRAG em todo o país. Desse total:
- 72.061 casos com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório;
- 46.505 casos laboratoriais negativos;
- e pelo menos 7.372 notificações aguardando resultado.
| Agente | Percentual (últimas 4 semanas) |
|---|---|
| Vírus sincicial respiratório (VSR) | 50,4% |
| Rinovírus | 29% |
| Influenza B | 9,2% |
| Influenza A | 6,5% |
| Sars‑CoV‑2 (Covid‑19) | 1,6% |
O que significa o nível de alerta
Estar em nível de alerta, risco ou alto risco significa que a incidência de SRAG está acima de parâmetros considerados de rotina, o que pode pressionar unidades de saúde e serviços de internação, especialmente em populações vulneráveis — como crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades. A Fiocruz utiliza séries temporais e modelagens para sinalizar tendências de curto e longo prazo, fornecendo subsídios a gestores para tomada de decisão.
Implicações para a vigilância e para a população
Na prática, altos níveis de SRAG recomendam reforço nas ações de vigilância laboratorial, ampliação da testagem quando possível, monitoramento da ocupação hospitalar e campanhas de orientação sobre medidas não farmacológicas. Para a população, as recomendações gerais incluem:
- manter a higiene das mãos e a etiqueta respiratória (usar lenço ou antebraço ao tossir/espirrar);
- evitar aglomerações em casos de sintomas respiratórios;
- procurar atendimento médico se houver sinais de falta de ar, febre persistente ou quadro que piore.
O boletim InfoGripe é uma ferramenta de monitoramento amplamente utilizada por gestores e serviços de saúde para antecipar demandas e orientar respostas regionais. A Fiocruz recomenda acompanhamento contínuo das séries temporais semanais, uma vez que padrões de circulação viral podem mudar ao longo de períodos sazonais.
O Acre e as autoridades de saúde locais seguem sendo observados pelas equipes nacionais e regionais de vigilância. A estabilidade em Rio Branco nas últimas semanas é um indício favorável, mas não elimina a necessidade de atenção enquanto os níveis estaduais permanecerem elevados.