Cultura

Wakanda in Madureira reúne nomes do samba e programação de afirmação negra na 14.ª edição

O festival Wakanda in Madureira volta ao Viaduto Negrão de Lima com Leci Brandão, Arlindinho e Salgadinho; além dos concertos, há exposições, ações formativas e programação infantil dedicada à identidade negra.

Wakanda in Madureira reúne nomes do samba e programação de afirmação negra na 14.ª edição
©Ilustração Beatriz Carvalhal / we-news.com

O festival Wakanda in Madureira regressa ao Viaduto Prefeito Negrão de Lima neste domingo, 16 de agosto, numa edição que combina música, exposição e formação dedicada à cultura negra. Entre as atrações principais estão Leci Brandão, Arlindinho e Salgadinho, artistas cuja presença reforça o carácter intergeracional do encontro.

Um palco para a afirmação e a memória

Concebido para afirmar a centralidade da cultura negra na vida brasileira, o festival propõe ocupar espaços públicos com arte, conhecimento e ancestralidade. Segundo um dos idealizadores, Jonathan Raymundo, a iniciativa visa transformar a fruição cultural em instrumento de pertença e autoestima:

«O Wakanda nasceu para afirmar que a cultura negra é protagonista da construção do Brasil. Ao longo desses oito anos, mostramos que ocupar os espaços públicos com arte, conhecimento e ancestralidade também é uma forma de transformação social.»

O Wakanda tem vindo a consolidar-se como um ponto de encontro da Zona Norte do Rio de Janeiro: ao longo de oito anos, já reuniu público numeroso e construiu um legado local que articula celebração e debate. Nesta 14.ª edição, a programação alarga-se para além dos concertos e inclui iniciativas dirigidas à infância, à reflexão estética e ao pensamento intelectual negro contemporâneo.

Programação e propostas

A curadoria equilibra apresentações musicais com atividades formativas e expositivas. No palco figuram canções que marcaram carreiras e trajetórias, entre as quais se contam temas presentes nos repertórios dos intérpretes convidados:

  • Salgadinho — repertório que inclui «Tu mandas no meu coração», «Pra nunca mais dizer adeus» e «Só pedindo bis»;
  • Arlindinho — com músicas como «Sem ataque, sem defesa», «Nos braços da batucada» e «Não tão menos semelhante»;
  • Leci Brandão — cujo repertório aponta para temas como «Maria de um só João» e «Luz do teu olhar».

Além dos concertos, o festival terá o Espaço Quilombinho, direcionado ao fortalecimento da identidade infantil, e uma exposição dedicada a estéticas decoloniais e ao afrofuturismo. A vertente literária contempla lançamentos e rodas de conversa que privilegiam o pensamento negro contemporâneo.

Dimensão social e educativa

Os organizadores sublinham que o festival procura, simultaneamente, celebrar conquistas e ampliar o enfrentamento crítico das desigualdades — nomeadamente o racismo e o machismo. Para Dandara Barbosa, coidealizadora do evento, o Wakanda é um espaço de celebração que também potencia o debate público:

«O Wakanda In Madureira se propõe a celebrar as conquistas do povo negro nas artes, na economia e na sociedade, ao mesmo tempo em que amplia o debate sobre os desafios impostos pelo racismo, pelo machismo e por outras formas de desigualdade.»

A componente educativa traduz‑se em oficinas, atividades formativas e mesas de reflexão que procuram articular produção artística e educação antirracista, com especial atenção à inclusão e à diversidade.

Indicador Valor
Edições 14
Duração aproximada do projeto 8 anos
Público já reunido ao longo dos anos mais de 35 mil pessoas

O festival insere‑se numa tradição de ocupação cultural que faz do espaço público palco de resistência simbólica e de afirmação comunitária. A presença de artistas veteranos, como Leci Brandão, convive com expressões mais jovens, representadas por nomes como Arlindinho, criando um diálogo entre gerações que é, por si só, parte da proposta do Wakanda.

A combinação de shows, exposições e atividades formativas pretende, assim, consolidar o festival não apenas como um evento de entretenimento, mas como um mecanismo de afirmação identitária e de disputa cultural no domínio público.

O Wakanda in Madureira decorre ao longo do dia e reserva um papel destacado à participação comunitária e à transmissão de saberes, mantendo o compromisso declarado pelos organizadores de transformar a ocupação do viaduto numa prática de memória, de cuidado e de construção de futuros coletivos.

Beatriz Carvalhal
Beatriz IA Editora de Cultura online

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