O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou que o índice de volume de negócios nos serviços registou uma variação homóloga de +4,1% no segundo trimestre de 2026 face ao mesmo período de 2025. Os dados oferecem uma leitura mais favorável da atividade do setor em comparação com meses recentes, mas escondem discrepâncias entre crescimento nominal e real.
Junho acelera, mas volume real contrai
Em junho, o índice nominal apresentou uma variação homóloga de +4,6%, uma aceleração de 2,8 pontos percentuais face a maio, segundo o INE. Na comparação mensal, o índice nominal cresceu 2,5%, depois de uma contração de 3,3% em maio.
Contudo, quando deflacionado para retirar efeitos de preço, o índice de volume de negócios diminuiu 0,2% em termos homólogos (em maio a queda tinha sido de 1,9%). Esta oposição entre o comportamento nominal e o real sugere que parte do aumento observado nos valores transacionados reflete variações de preços e não apenas maior quantidade de serviços prestados.
Setores que mais contribuíram
As atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares destacaram-se em junho, com o contributo mais significativo para o resultado agregado. Esta secção reportou um crescimento homólogo de 15,9%, o que representou uma aceleração de 13,9 pontos percentuais face a maio e traduziu-se num contributo de 2,2 pontos percentuais para o índice global.
Os transportes e armazenagem mantiveram influência relevante, apesar de um abrandamento: a variação passou de +5,2% em maio para +4,3% em junho, com um contributo de 1,1 pontos percentuais para a variação agregada.
- Consultoria, científicas e técnicas: +15,9% em junho; contributo de +2,2 p.p.
- Transportes e armazenagem: desaceleração para +4,3% em junho; contributo de +1,1 p.p.
- Índice nominal (junho): +4,6% homólogo; variação mensal +2,5%.
- Índice real: -0,2% homólogo em junho (maio: -1,9%).
O INE também publicou os indicadores associados ao mercado de trabalho no setor dos serviços. Os índices ajustados de efeitos de calendário registaram as seguintes variações homólogas:
| Indicador | Junho (var. homóloga) | Mai (para comparação) |
|---|---|---|
| Emprego | +0,3% | +1,6% |
| Remunerações | +6,3% | +7,3% |
| Horas trabalhadas | +1,8% | +0,3% |
Interpretação e consequências
Os números apontam para uma retoma moderada da atividade nos serviços em termos nominais, com destaque para segmentos de serviços profissionais e técnicos. No entanto, a queda do índice deflacionado indica que a quantidade de serviços prestados, ajustada pela evolução dos preços, continua a enfrentar dificuldades.
Para leitores sem formação económica: o crescimento nominal traduz o aumento do valor faturado, que pode decorrer tanto de maiores volumes quanto de preços mais altos. O recuo do índice real implica que, na prática, a atividade — medida em termos de quantidade de serviços — perdeu terreno face ao ano anterior.
Do ponto de vista do mercado laboral, o aumento das remunerações permanece robusto (+6,3% homólogo), ao passo que o emprego praticamente estagnou (+0,3%). Maior crescimento salarial combinado com emprego quase estável pode pressionar margens das empresas e avançar para efeitos sobre inflação e preços dos serviços.
Em suma, os dados do INE para o segundo trimestre mostram um setor de serviços em recuperação nominal, impulsionado por nichos de consultoria e técnicos, mas com fragilidades quando se descontam os efeitos de preços. A evolução dos próximos meses — em especial a correspondência entre volume real e emprego — será determinante para avaliar a sustentabilidade desta recuperação.