A maior prova de ralis dos Açores, a 59.ª Volta à Ilha de São Miguel – By Azores Rallye, vai regressar às estradas da ilha entre os dias 4 e 5 de setembro mantendo, em grande medida, o itinerário da edição anterior, com uma alteração relevante na chamada Superespecial PDL – Parque Urbano. A informação foi divulgada pelo Grupo Desportivo Comercial (GDC) através da publicação do Regulamento Particular da Prova.
Traçado e distância
A edição de 2026 apresenta uma extensão total de 454,74 quilómetros, dos quais 103,09 km serão percorridos em prova cronometrada, repartidos por dez classificativas. A principal inovação está na Superespecial de Ponta Delgada: a prova urbana passa a ser cumprida em duas passagens, perfazendo um total de 4,20 km. Para efeitos classificativos, contará o somatório dos tempos obtidos nas duas passagens.
O programa mantém alguns pontos centrais do roteiro desportivo e urbano, preservando especialidades já conhecidas dos pilotos e do público local, como a já habitual arrancada nas «Sete Cidades».
Programa e encerramento
A apresentação pública das equipas está marcada para a noite de 3 de setembro, a partir das 21h00, nas Portas da Cidade, em Ponta Delgada, seguida de sessão de autógrafos. A primeira classificativa em estrada será a de «Sete Cidades», com partida agendada para as 16h03 de 4 de setembro. O encerramento competitivo terá lugar na Alameda das Portas do Mar, em Ponta Delgada, onde os três primeiros classificados subirão ao pódio.
| Item | Valor |
|---|---|
| Datas | 4 e 5 de setembro de 2026 |
| Extensão total | 454,74 km |
| Quilómetros cronometrados | 103,09 km |
| Classificativas | 10 |
| Superespecial PDL | 2 passagens (4,20 km no total) |
Impacto local e ambição nacional
A prova, que tem expressão regional e atrai público das ilhas vizinhas e do continente, volta a candidatar‑se a integrar o calendário do Campeonato de Portugal de Ralis em 2027. A inclusão no calendário nacional representaria maior visibilidade para a ilha e um incremento no fluxo turístico e económico ligado ao evento, nomeadamente em áreas como hotelaria, restauração e comércio local — sectores que, nas ilhas, dependem fortemente de picos de procura sazonal.
Financiamento e crítica pública
Apesar da ambição de elevar a competição a patamares nacionais, a edição de 2026 volta a realizar‑se sem o apoio do Governo Regional dos Açores. Esta ausência de financiamento tem sido alvo de crítica por parte do organizador, o Grupo Desportivo Comercial.
«É difícil compreender que a entidade que deveria ser a primeira interessada em promover a Região através de eventos de enorme impacto mediático tenha deixado de investir em iniciativas que, ao longo de décadas, provaram o seu enorme retorno para o turismo, para a economia e para a notoriedade dos Açores».
O comentário foi divulgado pelo presidente do GDC, Luís Pimentel, e traduz uma preocupação acerca do papel das autoridades regionais na promoção de eventos com capacidade de internacionalizar a imagem do arquipélago. A crítica destaca um clima de incerteza sobre apoios institucionais que, no passado, deram estabilidade financeira a provas de referência nas ilhas.
Preparação e logística insular
Organizar um rali desta escala numa ilha como São Miguel implica desafios logísticos particulares: gestão de acessos, condicionamento temporário das estradas, coordenação com autoridades locais e proteção ambiental das áreas atravessadas. A Superespecial urbana em Ponta Delgada, ao ser cumprida em duas passagens, exige ainda maior planeamento para minimizar incómodos e maximizar a segurança do público e participantes.
- Datas principais: 3 de setembro (apresentação), 4 e 5 de setembro (prova).
- Local de destaque: Ponta Delgada — Portas da Cidade e Alameda das Portas do Mar.
- Objetivo desportivo: candidatura ao Campeonato de Portugal de Ralis em 2027.
Com a contagem decrescente para setembro, clubes, autarquias e empresas locais preparam‑se para acolher pilotos e público, enquanto o debate sobre o financiamento institucional mantém a prova no centro das atenções políticas e económicas regionais. Para uma região insular como os Açores, eventos desta envergadura representam mais do que competição: constituem oportunidade de afirmação e de retorno para as comunidades e empresas envolvidas.
Micaela Medeiros
Correspondente nos Açores, WE NEWS