O Ministério da Educação e Formação do Vietname determinou que os exames de admissão ao 10.º ano deverão ser organizados apenas em circunstâncias em que as escolas públicas não conseguem acolher a totalidade da procura, privilegiando-se a criação de vagas e a ampliação de capacidade em todo o país.
Critério para exames: insuficiência da rede pública
Segundo o relatório ministerial sobre a implementação das tarefas do ano letivo 2025-2026 e as prioridades para 2026-2027, a realização de provas de ingresso ao ensino secundário será circunscrita a escolas especializadas e a áreas urbanas com elevado número de candidatos, onde o sistema público «não consegue atender à demanda», nomeadamente em Hanói e na Cidade de Ho Chi Minh.
«Realizar o exame do 10º ano apenas em áreas onde as escolas públicas ainda não são suficientes.»
Na restante parte do território, o ministério orienta as autoridades locais a reforçarem o planeamento da matrícula, a criarem novas escolas e salas de aula e a garantirem condições adequadas de instalações e corpo docente, com vista a reduzir a pressão dos exames e a alargar o acesso escolar.
Medidas e prioridades locais
O relatório destaca que as autoridades devem rever de forma proativa o número de crianças e estudantes em idade escolar e preparar planos de matrícula para cada início de ano letivo. A prioridade é maximizar a frequência escolar em áreas densamente povoadas, em zonas industriais e em novos centros urbanos, sem descurar regiões remotas, comunidades de minorias étnicas, zonas montanhosas, fronteiriças e insulares.
- Exames reservados para escolas especializadas e locais com excesso de procura;
- Aumento da oferta pública de vagas por intermédio da construção de escolas e ampliação de salas;
- Foco na igualdade de acesso em áreas rurais e comunidades tradicionais.
Algumas províncias já praticam métodos alternativos de seleção. No ano lectivo 2026-2027, várias cidades e províncias adoptaram a matrícula com base no histórico académico para o ingresso no ensino secundário público, enquanto as escolas secundárias especializadas continuam a realizar exames de admissão. Exemplos apontados incluem Vinh Long, Dak Lak, Ca Mau e Lam Dong, onde processos seletivos foram utilizados para determinadas escolas públicas.
Expansão da oferta: números
O ministério sublinha que o total de vagas para o 10.º ano aumentará significativamente: o documento aponta um incremento de 24% face ao ano lectivo anterior. Este aumento faz parte da estratégia de reduzir a dependência de exames como mecanismo universal de entrada para o ensino secundário e de promover um alargamento da capacidade da rede pública.
| Ano lectivo | Variação de vagas |
|---|---|
| 2025-2026 | Base de referência |
| 2026-2027 | +24% |
As orientações ministeriais combinam duas vertentes: restringir os exames a contextos de efetiva necessidade e, simultaneamente, obrigar à expansão da rede escolar onde a oferta é insuficiente. Trata-se de uma tentativa de equilibrar a gestão de vagas com uma política que busca reduzir a pressão competitiva dos exames, sem eliminar completamente a avaliação quando esta se justifica.
Implicações e desafios
As directrizes colocam um desafio operacional às administrações locais, que terão de avaliar continuamente a capacidade das suas infraestruturas e adaptar planos de construção e recrutamento docente. A opção por manter exames em escolas especializadas mantém canais de selecção para determinados percursos académicos, ao passo que a alargada adopção de critérios baseados no historial escolar tende a diversificar os critérios de acesso.
Para a comunidade escolar, a medida pode significar menos pressão de provas em contextos onde a rede pública é suficiente, mas impõe exigências claras de investimento e planeamento onde a procura continua elevada. O sucesso da política dependerá, em grande medida, da capacidade do ministério e das autoridades locais em converter as metas de ampliação de vagas em resultados concretos nos próximos anos lectivos.
O documento oficial sublinha ainda o compromisso em prestar atenção especial às populações mais vulneráveis e às áreas geograficamente isoladas, procurando assegurar que o alargamento da oferta educativa seja acompanhado de uma resposta equitativa às necessidades regionais.