Vários passageiros portugueses permaneceram retidos no Aeroporto Josep Tarradellas Barcelona‑El Prat durante mais de 48 horas devido a sucessivos adiamentos e cancelamentos de voos com destino ao Porto, disseram ao Correio da Manhã viajantes afetados.
Relato dos viajantes e justificações da transportadora
Entre os passageiros estão essencialmente famílias que haviam passado férias em Ibiza e que fizeram escala em Barcelona. Contactados pelo CM, os afetados relatam que as explicações apresentadas pela companhia aérea Vueling foram variadas: referências a mau tempo no Porto, problemas na torre de controlo do aeroporto de Barcelona e questões relacionadas com a tripulação.
Os viajantes queixam‑se ainda de que as ajudas prestadas pela transportadora não foram suficientes. Alguns foram alojados num hotel na primeira noite, mas essa solução não se repetiu na segunda, que acabou por ser passada no próprio aeroporto. Relativamente à alimentação, consideram que os vouchers fornecidos não cobriram o custo das refeições nas instalações do terminal.
«Estavam a acompanhar»
Questionado pelo CM, uma fonte do secretariado das Comunidades Portuguesas afirmou que as autoridades consulares «estavam a acompanhar» a situação, sem acrescentar mais pormenores.
Contexto técnico e paralisações
Informação divulgada pela imprensa espanhola nas últimas 48 horas refere vários problemas em Barcelona. Na quarta‑feira, informou o 20minutos, registou‑se uma falha de energia na torre de controlo do aeroporto que obrigou à paralisação de aterragens e descolagens por volta das 12h00 locais (11h00 em Portugal continental). Às 15h18, a operadora do aeroporto, Aena, comunicou que o fornecimento de energia tinha sido restabelecido a 100% e que as operações seriam retomadas de forma gradual.
Paralelamente, o diário La Vanguardia noticiou a ocorrência de uma greve dos trabalhadores da Groundforce em Barcelona, facto que pode ter agravado a capacidade de resposta do terminal e o reencaminhamento de passageiros.
Desfecho e consequências imediatas
Pelas 18h10 desta quinta‑feira, o Correio da Manhã recebeu confirmação de um dos passageiros de que, após mais de 48 horas de espera, já tinham embarcado num voo com destino ao Porto.
O episódio levanta questões práticas e legais sobre a assistência a passageiros em situações de grandes atrasos e cancelamentos, nomeadamente em casos em que as causas invocadas combinam fatores técnicos (falhas elétricas), operacionais (contingência na torre de controlo) e laborais (greves). Para os viajantes afetados, o impacto foi imediato: noites perdidas, despesas inesperadas e desgaste físico e emocional.
- Principais motivos apontados: mau tempo no Porto, falha na torre de controlo, problemas de tripulação.
- Assistência recebida: alojamento parcialmente fornecido na primeira noite; vouchers de refeição considerados insuficientes.
- Intervenção das autoridades: secretariado das Comunidades Portuguesas a acompanhar o caso, sem comentários adicionais.
| Momento | Ocorrência |
|---|---|
| Quarta‑feira, ≈12h (local) | Falha de energia na torre de controlo; paralisação de voos |
| Quarta‑feira, 15h18 (local) | Aena anuncia restabelecimento total do fornecimento eléctrico e retoma gradual das operações |
| Até quinta‑feira, 48h | Passageiros permanecem retidos; alguns alojados primeiro dia; segunda noite passada no aeroporto |
| Sexta‑feira, ≈18h10 | Confirmação de embarque de alguns passageiros rumo ao Porto |
O sucedido sublinha a vulnerabilidade de cadeias de viagem complexas a incidentes concentrados e a importância de planos de contingência que garantam alojamento, alimentação e informações claras aos passageiros. Para além do incómodo imediato, atrasos prolongados podem ter repercussões económicas para famílias e empresas, e suscitam dúvidas sobre o cumprimento dos direitos dos passageiros em matéria de assistência e compensação.
As autoridades aeroportuárias e a transportadora envolvida foram contactadas pela imprensa espanhola e portuguesa para clarificações técnicas e operacionais; até ao momento, a fonte do secretariado das Comunidades Portuguesas limitou‑se a indicar que acompanhava o caso.
Ficam pendentes esclarecimentos sobre a articulação entre falta de energia, medidas adotas pela torre de controlo e eventuais consequências da greve da Groundforce, bem como sobre o número total de passageiros portugueses afetados e as medidas de compensação a que poderão ter direito.