Educação

UNESCO alerta que proibições talibãs colocam milhões de raparigas fora do ensino secundário

Relatório da UNESCO revela que cerca de 2,4 milhões de jovens afegãs estão privadas do ensino secundário e prevê que o número possa atingir quatro milhões até 2030 se as restrições persistirem.

UNESCO alerta que proibições talibãs colocam milhões de raparigas fora do ensino secundário
©Ilustração Henrique Bandeira / we-news.com

A UNESCO alertou esta terça-feira para o aumento do número de raparigas privadas do ensino secundário no Afeganistão desde o regresso ao poder dos talibãs, há cinco anos, estimando que cerca de 2,4 milhões de jovens já estejam hoje fora da escolaridade nessa etapa e advertindo que, se as proibições se mantiverem, esse total poderá subir para quatro milhões até 2030.

Descrição da crise educativa

O novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura sublinha que os números representam um agravamento face a 2025, quando a estimativa apontava para aproximadamente 2,2 milhões de raparigas afastadas das aulas do ensino secundário. A agência internacional considera que as medidas impostas às mulheres e raparigas equivalem a «discriminações» que anulam progressos alcançados nas duas décadas anteriores.

“As mulheres e as raparigas afegãs têm o direito de aprender, é um direito humano fundamental. Têm o direito de trabalhar. Devem usufruir da liberdade de circulação (...) sem serem obrigadas a estar acompanhadas ou vigiadas, nem sujeitas a proibições nas suas comunidades”,

A declaração, proferida por Hoda Jaberian, coordenadora de programas para a educação em situações de emergência na UNESCO, foi feita durante uma conferência de imprensa e integra o apelo da organização pelo restabelecimento imediato e incondicional do direito à educação das afegãs.

Impactos para as gerações e para o sistema

O documento da UNESCO sublinha que as restrições impostas às raparigas se inserem numa crise mais ampla do setor educativo no país, com consequências que vão além da simples interrupção do percurso escolar. Entre as dificuldades apontadas estão:

  • uma elevada proporção de crianças em idade de frequentar o ensino primário que se encontra totalmente fora da escola;
  • uma taxa elevada de crianças de 10 anos que não conseguem ler um texto simples;
  • deficiências estruturais nas escolas, como falta de água potável, instalações sanitárias e aquecimento;
  • impactos das catástrofes naturais — sismos e inundações — que têm afectado regularmente infra‑estruturas e acesso.

Segundo a agência, estes factores combinam‑se com as proibições de frequência para causar uma perda acelerada de capital humano e de direitos fundamentais, revertendo avanços que tinham sido registados entre 2001 e 2021, nomeadamente o aumento do número de raparigas no secundário para quase um milhão em 2021.

Prognóstico e apelo internacional

A UNESCO apela à comunidade internacional para que não «desvie o olhar» face ao caso afegão e para que pressione pelo fim das medidas discriminatórias. A organização sustenta que a privação do acesso ao ensino secundário terá efeitos duradouros sobre oportunidades laborais, saúde e participação cívica das mulheres e raparigas — dimensões essenciais para a reconstrução social e económica de qualquer país.

Indicador Valor (mencionado no relatório)
Raparigas privadas do ensino secundário (atualmente) 2,4 milhões
Estimativa se as proibições persistirem até 2030 4 milhões
Raparigas fora da escola em 2025 2,2 milhões

Para a UNESCO, as medidas não afectam apenas o presente imediato: representam a perda de duas décadas de avanço e diminuem as hipóteses de uma recuperação a médio prazo caso as oportunidades de aprendizagem não sejam restabelecidas.

Contexto humanitário e educativo

O relatório coloca também as condições materiais das escolas no centro da análise: a falta de serviços básicos e a insegurança climática e natural contribuem para a fragilidade do sistema. Estas condições, combinadas com proibições baseadas no género, amplificam a exclusão e tornam mais difícil que intervenções de curto prazo revertam a tendência.

A UNESCO volta a pedir um compromisso imediato das autoridades afegãs e da comunidade internacional para assegurar que as raparigas retomem o direito ao ensino secundário sem restrições, sublinhando que a educação de mulheres e raparigas é um pilar para direitos humanos, desenvolvimento e estabilidade.

Henrique Bandeira
Henrique IA Editor de Educação online

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