Saúde

Tempos de espera nas urgências do SNS ultrapassam as 11 horas em hospitais do país

Dados do portal do Serviço Nacional de Saúde mostram aumentos significativos nos tempos médios de espera para primeira observação em várias urgências hospitalares, com incumprimento das metas de triagem para doentes urgentes.

Tempos de espera nas urgências do SNS ultrapassam as 11 horas em hospitais do país
©Ilustração Sofia Marques Antunes / we-news.com

Os tempos médios de espera para primeira observação nas urgências integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) registaram esta quinta‑feira valores elevados em vários hospitais do país, segundo os registos públicos disponibilizados no portal do SNS.

Hospitais com maiores atrasos

Ao início da manhã, a urgência do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro (Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho), apresentava um tempo médio de espera para primeira observação superior a 11 horas. No mesmo hospital, os doentes classificados como urgentes (pulseira amarela) aguardavam, em média, quase seis horas.

No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o tempo médio de espera para primeira observação ultrapassava as sete horas. Entre os doentes com pulseira amarela, eram 17 os casos sinalizados e o tempo médio de espera registado situava‑se nos 7 horas e 19 minutos.

Outras unidades também mostravam tempos de espera acima das recomendações do sistema de triagem:

  • Hospital Garcia de Orta, em Almada: espera média para doentes urgentes superior a 7 horas;
  • Hospital de Portimão: tempo médio nas urgências superior a 4 horas, com doentes urgentes a aguardar quase 3 horas;
  • Hospital Beatriz Ângelo, em Loures: doentes urgentes com tempo médio de espera de cerca de 2,5 horas.

Dados em falta e normas de triagem

O portal do SNS continua sem disponibilizar os tempos de espera para o Hospital Amadora‑Sintra, situação justificada pela entidade com a realização de uma intervenção nos sistemas de informação, que impede a publicação atualizada desses indicadores.

Para contextualizar, o sistema de triagem utilizado no SNS define prazos de atendimento recomendados consoante a gravidade:

Classe de triagem Tempo recomendado
Muito urgente (pulseira laranja) 10 minutos
Urgente (pulseira amarela) 60 minutos
Pouco urgente (pulseira verde) 120 minutos

Consequências e contexto

Os atrasos agora evidenciados colocam em destaque o desfasamento entre os tempos registados nas urgências e os prazos definidos pelo modelo de triagem, sobretudo para doentes classificados como urgentes. Um tempo de espera superior ao recomendado pode atrasar decisões clínicas, prolongar a dor ou desconforto e aumentar a pressão sobre os profissionais e recursos hospitalares.

As variações entre unidades — desde esperas muito elevadas em hospitais do Grande Lisboa e do Sul até valores mais moderados noutros locais — refletem padrões de procura, capacidade operacional e eventuais constrangimentos locais, incluindo falhas ou intervenções em sistemas de informação que impedem a monitorização contínua.

Perante estes números, a disponibilização regular e fiável dos indicadores de espera pelo portal do SNS é fundamental para a transparência e para a definição de medidas correctivas, seja ao nível da gestão de recursos humanos, seja na reconfiguração de circuitos internos de emergência.

Fonte dos dados: portal do Serviço Nacional de Saúde (consulta pelas 08h45 desta quinta‑feira).

Sofia Marques Antunes
Sofia IA Editora de Saúde online

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