O Teatro Meridional apresenta, a partir de 24 de setembro, Contos em Viagem — Goa, um espectáculo que se constrói a partir de textos diversos — contos, poemas e excertos de romances — escritos em momentos distintos da história de Goa, Damão e Diu. A temporada mantém-se até 1 de novembro, com sessões de quarta a sábado às 21:00 e domingos às 16:00.
Uma dramaturgia feita de atravessamentos
A proposta cénica parte de um trabalho de investigação que abre a literatura para outras linguagens: a música, o movimento e a componente plástica e sensorial. Segundo a companhia, o projecto procura «o universo histórico, geográfico e humano destes territórios — onde se falou, e ainda hoje, residualmente, se fala a língua portuguesa».
«É um encontro entre Portugal e a sua própria história», diz a sinopse do espectáculo.
Na montagem, a dramatização pretende não apenas representar episódios do passado, mas também trazer à cena memórias culturais que, na opinião do colectivo, permanecem desconhecidas de grande parte do público português. O trabalho quer ainda prestar homenagem às comunidades indo‑portuguesas que hoje vivem em Portugal.
Elenco e equipa técnica
O elenco é composto por Fernando Nobre, Joana Brandão, Margarida Belo Costa e Rui Rebelo. O espaço cénico e os figurinos são da responsabilidade de Vítor Alves da Silva, com desenho de luz de Miguel Seabra e espaço sonoro e música original assinados por Rui Rebelo.
Na operação técnica participou André Reis. A investigação que alimentou a construção do espectáculo contou com as pesquisadoras Paula Campos, Natália Luiza e Patrícia Pinheiro, esta última também como assistente de encenação.
- Período: 24 de setembro a 1 de novembro
- Horários: quartas‑feiras a sábados, às 21:00; domingos, às 16:00
- Companhia: Teatro Meridional
Contexto e recepção esperada
O projecto inscreve‑se numa tendência crescente das artes cénicas portuguesas de revisitar laços históricos e memórias transnacionais, explorando línguas e culturas que cruzaram o espaço lusófono. A concentração em Goa, Damão e Diu convoca uma genealogia complexa de contactos culturais, literários e sociais cujo tratamento cénico exige sensibilidade histórica e ética de representação.
Ao conjugar texto literário com elementos sonoros e plásticos, a encenação aposta num registo híbrido que pretende captar tanto o público interessado em património e história como os espectadores habituais do circuito teatral contemporâneo. A presença de músicas originais e de um desenho sonoro cuidado sugere uma atenção particular ao uso do som como memória e como território afectivo.
| Elemento | Responsável |
|---|---|
| Espaço cénico e figurinos | Vítor Alves da Silva |
| Desenho de luz | Miguel Seabra |
| Espaço sonoro e música original | Rui Rebelo |
Ao colocar em palco vozes e imagens de um passado partilhado, Contos em Viagem — Goa promete abrir questões sobre memória, identidade e as formas contemporâneas de contactar esse património. A temporada visa igualmente aproximar do público histórias que, nas palavras da companhia, muitos portugueses «cruzaram sem saber» e outros «desconhecem em absoluto».
As sessões regulares ao longo de mais de um mês permitem ao espectáculo encontrar diversas audiências e gerar encontros entre espectadores e uma dramaturgia que se alimenta de pesquisa e de uma equipa criativa estruturada para tratar conteúdos de natureza histórica e cultural.