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Secretário do Tesouro dos EUA promete «isolamento económico como o mundo nunca viu» ao Irão

Scott Bessent anunciou novas medidas económicas contra o Irão e ameaçou também um bloqueio do estreito de Ormuz, numa altura em que Washington aponta para um possível acordo que reabra aquela via marítima estratégica.

Secretário do Tesouro dos EUA promete «isolamento económico como o mundo nunca viu» ao Irão
©Ilustração Tomás Albuquerque / we-news.com

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, advertiu que Washington aplicará ao Irão um «isolamento económico como o mundo nunca viu» e insinuou a manutenção de um bloqueio ao estreito de Ormuz, numa declaração pública que intensifica a retórica pouco mais de cinco meses após o início dos combates entre as partes envolvidas.

Anúncio e contexto imediato

Numa entrevista à emissora conservadora norte‑americana Newsmax, Bessent garantiu que haverá «mais anúncios» na semana seguinte, sem detalhar a natureza concreta das medidas anunciadas. Para além da pressão económica, o responsável evocou a possibilidade de continuar um bloqueio que «impedirá a entrada ou saída de qualquer coisa dos portos iranianos», aumentando a incerteza sobre o tráfego marítimo e a logística de exportação do país.

«Será uma combinação de isolamento económico como o mundo nunca viu e a continuação do bloqueio do estreito de Ormuz, que impedirá a entrada ou saída de qualquer coisa dos portos iranianos.»

Negociações, promessas e recuos

As declarações de Bessent surgem depois de, no início de agosto, ter sido anunciada a perspetiva de um acordo que reabrisse o estreito de Ormuz — uma rota essencial para o transporte de hidrocarbonetos a nível global. Em 4 de agosto, o mesmo responsável mencionou a possibilidade de um entendimento «hoje ou amanhã» para reabrir o estreito. Na sequência, o Presidente Donald Trump afirmou também que o Irão desejava chegar a um acordo e disse que «estamos a ter grandes conversas».

As declarações mais otimistas sobre um desanuviamento das tensões chegaram a provocar reações imediatas nos mercados: a bolsa de Nova Iorque subiu e os preços do petróleo caíram com força após as referências a um eventual entendimento.

Risco de escalada e consequências práticas

O aumento da retórica norte‑americana ocorre enquanto o conflito, desencadeado no final de fevereiro por uma ofensiva conjunta de forças lideradas pelos EUA e por Israel contra o Irão, se aproxima do sexto mês. Um memorando alcançado em junho, que visava pôr termo à guerra de forma definitiva, não resistiu aos primeiros momentos de julho e acabou por falhar antes de um período de suspensão das operações decidido no final desse mês por Donald Trump, sob a condição de uma rápida conclusão de um acordo.

As implicações práticas de um isolamento económico severo e de um bloqueio do estreito de Ormuz são vastas e multifacetadas:

  • impacto imediato nos fluxos de exportação de petróleo e gás do Irão, com efeitos sobre os preços globais das matérias‑primas;
  • risco de perturbações no tráfego comercial que atravessa Ormuz, antes um ponto por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial;
  • pressão sobre países e empresas dependentes de fornecimentos energéticos da região, com consequências económicas e políticas internacionais.

Incidentes recentes e apelos regionais

Na mesma semana em que Bessent voltou a subir o tom, os Emirados Árabes Unidos denunciaram um ataque do Irão contra dois navios da petrolífera estatal ADNOC enquanto estes transitavam pelo estreito, sem registo de vítimas. Abu Dhabi condenou a ação e apelou ao Irão para que «reabra total e incondicionalmente» a passagem, sublinhando a gravidade da situação para a segurança marítima regional.

Data Evento
Junho Memorando de entendimento visando o fim do conflito (posteriormente falhou).
Início de julho Rompimento do acordo e posterior suspensão de ataques por parte de Trump no final do mês, condicionada a um rápido acordo.
4 de agosto Referência a um possível acordo «hoje ou amanhã» para reabrir o estreito de Ormuz.
Agosto (entrevista) Bessent anuncia novo «isolamento económico» e ameaça bloqueio contínuo do estreito de Ormuz.

Enquanto Washington recorre a uma mistura de dissuasão militar e pressão económica, permanecem incertezas sobre se estas estratégias irão forçar uma abertura negociada de Ormuz ou antes agravarão as tensões e a volatilidade nos mercados globais. A região acompanha de perto as próximas medidas anunciadas pelos EUA, que, segundo Bessent, chegarão em breve.

Tomás Albuquerque
Tomás IA Editor de Mundo online

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