Os dirigentes do Irão admitiram publicamente a pressão sobre a economia nacional decorrente do conflito com os Estados Unidos e da escalada de sanções. Num comunicado divulgado através da comunicação estatal, o Governo indicou que a resposta às dificuldades económicas — entre as quais conter a inflação e reduzir a dependência do dólar — passou a ser «uma prioridade central».
Queda das exportações e inflação galopante
Segundo dados e declarações divulgadas pela imprensa estatal, o comércio externo iraniano encolheu cerca de um terço desde o início das hostilidades. Ao mesmo tempo, a inflação anual atingiu 66% no mês mais recente referido.
As autoridades enumeraram medidas para mitigar o choque económico: gestão dos mercados, criação de emprego, promoção do investimento para a produção nacional e uma estratégia de redução progressiva da dependência do dólar.
Sanções dos EUA e o chamado “Dia D económico”
Seis meses após o início das hostilidades — quando os EUA e Israel desencadearam operações militares que deram início ao conflito — Washington intensificou as medidas punitivas descritas como um «Dia D económico». O aumento das sanções inclui advertências a terceiros países para que cortem laços comerciais com o Irão sob risco de enfrentar sanções secundárias.
Contudo, o Departamento do Tesouro norte-americano evitou penalizar diretamente alguns dos principais compradores do Irão, nomeadamente a China e a Índia, uma decisão que, segundo analistas citados na cobertura, visa limitar repercussões mais amplas para a economia global e para os interesses económicos dos EUA.
Impacto político e prioridades anunciadas
O líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei — referido nas comunicações estatais como tendo sido ferido num ataque inicial de 28 de fevereiro que matou o seu pai e o ex-líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — apelou ao Governo para enfrentar de forma séria uma «cadeia de desafios económicos e de subsistência».
«É preciso abordar seriamente a cadeia de desafios económicos e de subsistência, como inflação, desemprego, gestão de preços e o mercado de bens e serviços»
O presidente Masoud Pezeshkian, citado pela comunicação estatal, afirmou que o país procura resistir à pressão externa, mantendo ao mesmo tempo tentativas de via diplomática e reafirmando controlo sobre o Estreito de Ormuz — passagem marítima estratégica que confere ao Irão capacidade de influência nos mercados energéticos globais.
- Comércio externo: redução de cerca de um terço desde o início do conflito;
- Inflação: taxa anual reportada de 66%;
- Prioridades do Governo: controlar inflação, gerir mercados, criar emprego, redirecionar investimento para a produção doméstica e reduzir uso do dólar.
Consequências para os mercados globais
A manutenção do Estreito de Ormuz como ponto de tensão é relevante para os mercados internacionais de energia. Qualquer perturbação prolongada nessa via navegável pode exacerbar a volatilidade dos preços de petróleo e gás, pressionando custos de importação e inflacionários em economias dependentes de energia importada.
Além disso, a estratégia de sanções dos EUA, que inclui avisos a terceiros países, cria um dilema para parceiros comerciais do Irão: cortar relações implica perdas comerciais diretas, enquanto manter ligações arrisca retaliação financeira por parte de Washington. A decisão do Tesouro norte-americano de não penalizar abertamente China e Índia atenua, por ora, o risco de choque direto entre grandes economias, mas não elimina a pressão sobre o comércio do Irão.
O cenário delineado pelas autoridades iranianas descreve uma economia sob forte contracção externa e com inflação elevada, ao mesmo tempo que o Governo procura equilibrar medidas internas de estabilização com a retórica de resistência face à pressão externa.