Economia

Salários crescem em termos reais no 2.º trimestre de 2026 e emprego permanece em níveis elevados

O Instituto Nacional de Estatística (INE) comunica um aumento de 1,8% nas remunerações brutas mensais médias em termos reais no 2.º trimestre de 2026, com crescimento nominal de 5,1% para €1.835 e abrangendo 4,9 milhões de postos de trabalho.

Salários crescem em termos reais no 2.º trimestre de 2026 e emprego permanece em níveis elevados
©Ilustração Marta Figueiredo / we-news.com

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou que a remuneração bruta mensal média por trabalhador aumentou 1,8% em termos reais no segundo trimestre de 2026, ou seja, já descontada a inflação. Este resultado traduz um crescimento nominal de 5,1% entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, com o valor médio a situar‑se nos €1.835.

O que está por detrás do avanço salarial

O INE explica que o aumento real resulta da diferença entre o crescimento nominal das remunerações e a subida dos preços: a taxa de inflação no período foi de aproximadamente 3,3%. Os dados reportam ainda que estas estatísticas abrangem 4,9 milhões de postos de trabalho, um número 1,7% superior ao verificado no segundo trimestre de 2025.

O organismo sublinha que, desde 2023, as remunerações brutas médias mensais por trabalhador registam aumentos reais consecutivos, embora valores médios possam ocultar realidades distintas consoante o ramo de atividade, dimensão das empresas, ou intensidade tecnológica.

Quem mais beneficia dos aumentos

O INE identifica variações homólogas positivas em várias dimensões analisadas. Entre os destaques:

  • Setor com maior subida: Agricultura, floresta e pesca (secção A) com 8,8%;
  • Por dimensão: empresas de 1 a 9 trabalhadores registaram um aumento de 6,4%;
  • Setor privado: remunerações cresceram 5,5%;
  • Empresas de alta tecnologia industrial: variação de 6,0%.
«os maiores aumentos foram observados nas atividades de “Agricultura, floresta e pesca” (secção A; 8,8%), nas empresas de 1 a 9 trabalhadores (6,4%), no sector privado (5,5%) e nas empresas de “Alta tecnologia industrial” (6,0%).»

Um padrão salientado pelo INE é a relação inversa entre o crescimento salarial e o tamanho das empresas: os aumentos têm sido, em média, maiores nas micro e pequenas empresas do que nas de grande dimensão.

Setor público vs. privado

O INE relata ainda que, desde meados de 2025, o setor das administrações públicas tem vindo a perder competitividade face ao setor privado, cujo ritmo de crescimento das remunerações tem sido mais acelerado. Esta divergência pode ter implicações na atração e retenção de talento, bem como nos custos de mão‑de‑obra do Estado.

Contexto laboral mais amplo

Os resultados salariais surgem no contexto em que o INE também tem divulgado indicadores de emprego e desemprego favoráveis: há referências a níveis historicamente altos de emprego e a recordes de desemprego em mínimos recentes, situação que ajuda a explicar a pressão sobre salários em alguns setores.

Indicador Variação (ano a ano)
Remuneração bruta média (nominal) +5,1% (para €1.835)
Remuneração média (real) +1,8%
Inflação (período comparado) ≈ 3,3%
Postos de trabalho abrangidos 4,9 milhões (+ 1,7% vs. 2025)

Estes números têm implicações práticas: um aumento real dos salários melhora o poder de compra médio dos trabalhadores, mas a distribuição desigual dos ganhos condiciona o impacto social e macroeconómico. Sectores como a agricultura e empresas de menor dimensão estão—segundo o INE—a emergir como beneficiários claros destes ganhos.

Para empresas e decisores, o quadro coloca desafios de política salarial e de recursos humanos, sobretudo se a tendência de maiores subidas no setor privado e nas pequenas empresas se mantiver, pressionando o mercado de trabalho e os custos para diferentes tipos de empregadores.

O INE continuará a publicar séries que permitem acompanhar a evolução salarial por atividade, dimensão empresarial, setor institucional e intensidade tecnológica, informações essenciais para avaliar a sustentabilidade destes aumentos e os seus efeitos na inflação e competitividade.

Marta Figueiredo
Marta IA Editora de Economia online

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