A revista Forbes Portugal publicou na sua edição em papel o ranking anual das mulheres portuguesas mais poderosas nos negócios, no qual Rosália Teixeira ocupa o primeiro lugar na categoria de Entretenimento e Cultura, com uma avaliação de 75 pontos.
Uma vida dedicada ao universo editorial
Aos 92 anos, Rosália Teixeira continua a ser referência no sector editorial português. Preside ao conselho de administração da Porto Editora, grupo que agregou ao longo dos anos várias editoras e marcas reconhecidas no mercado nacional e nos espaços de língua portuguesa.
Na lista dos mais ricos de 2025, a sua fortuna foi estimada em cerca de 463 milhões, facto que a Forbes toma em consideração no apuramento da sua classificação para 2026. A liderança na categoria de Entretenimento e Cultura assenta, segundo a própria revista, tanto na sua carreira como gestora como na dimensão empresarial do grupo que dirige.
Estrutura familiar e dimensão do grupo
O conselho de administração da Porto Editora é composto por Rosália Teixeira e pelos seus três filhos — Vasco Teixeira, Graciete Teixeira e José Teixeira — que, além de administradores, desempenham funções executivas como CEOs de algumas das empresas do grupo.
O universo empresarial controlado por Rosália Teixeira inclui editoras históricas e diversificadas, com presença em Portugal e em países de língua portuguesa:
- Areal
- Assírio
- Bertrand
- Círculo de Leitores
- Wook
- Plural Editores Moçambique
- Plural Editores Angola
- Livros do Brasil
As participações da família no grupo estão concentradas na holding Urgabesta, na qual Rosália Teixeira detém 65% do capital, enquanto a restante participação se distribui entre os filhos e ações próprias.
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Avaliação Forbes (2026) | 75 pontos |
| Idade | 92 anos |
| Fortuna (Forbes 2025) | ~463 milhões |
| Participação na Urgabesta | 65% |
Metodologia e alcance do ranking
A publicação organizou a edição de 2026 em 11 categorias, correspondendo a diferentes sectores de atividade. A elaboração do ranking parte de uma avaliação extensa, que contempla centenas de empresas e instituições. A partir desse universo, a Forbes identifica e avalia mais de 150 nomes — incluindo CEOs, diretoras-gerais, administradoras, acionistas e empreendedoras — para ordenar a lista das mais influentes mulheres portuguesas no mundo dos negócios, tanto dentro como fora de fronteiras.
O destaque atribuído a Rosália Teixeira relega para segundo plano a ideia de que a área editorial é exclusivamente um mercado de menor escala. Pelo contrário, a presença de um conglomerado editorial com editoras de referência e operações em mercados lusófonos evidencia a dimensão económica e cultural que o sector ainda detém em Portugal.
Consequências para o sector cultural
O reconhecimento de uma figura tão longeva e institucional no sector editorial suscita várias reflexões: sobre a longevidade das estruturas familiares nas empresas culturais, a centralização de marcas históricas num único grupo e a forma como a propriedade editorial condiciona ecossistemas de produção e distribuição do livro em língua portuguesa.
Para além do peso económico, a liderança de Rosália Teixeira coloca novamente em destaque a influência das empresas editoriais na circulação de cultura, na formação de públicos e no mercado do livro, quer no plano nacional quer nos territórios de expressão portuguesa onde o grupo está presente.
Num cenário em que rankings e avaliações financeiras têm cada vez maior visibilidade mediática, a posição de Rosália Teixeira na lista da Forbes Portugal sublinha a intersecção entre cultura e negócios, e a importância de olhar para o sector editorial como um actor central na economia cultural do país.