O senador Romário enfrenta uma nova tensão com o Partido Liberal (PL) depois de, segundo uma newsletter política, estudar declarar apoio a Eduardo Paes na corrida ao governo do estado do Rio de Janeiro. A posição, além de contrariar a orientação da direção do PL, poderá conduzir a sanções internas, incluindo a expulsão, caso se confirme o apoio público.
Regra partidária e risco de punição
A decisão que causa a litigância interna assenta numa resolução aprovada pela Executiva Nacional do PL no ano anterior, que proíbe filiados com mandatos eletivos de apoiarem candidatos de outras legendas. Fontes citadas na newsletter indicam que a direção estadual do PL no Rio «não está disposta a aceitar o movimento» e ameaça aplicar a pena máxima prevista pelos estatutos.
«quer apoiar Paes para governador na disputa contra o deputado estadual Douglas Ruas (PL)»
Perante a perspectiva de sanção, Romário estará a ponderar duas vias: permitir que a expulsão seja efectivada pelo estatuto do partido ou pedir a saída da sigla antes de formalizar qualquer declaração de apoio. A alternativa escolhida poderá ter consequências institucionais e políticas imediatas, tanto para o próprio senador como para o PL no estado.
Antecedentes e alinhamentos
O episódio insere‑se numa relação tensa entre o ex‑futebolista e a sigla que já vem de 2022, quando, na campanha, Romário apoiou candidaturas que não foram as indicadas pelo PL nas prefeituras do Rio e de Niterói. Naquele ciclo eleitoral, o senador apoiou Eduardo Paes (PSD) e Rodrigo Neves (PDT) contra candidatos do próprio partido, o que já suscitou atritos internos.
A newsletter recorda ainda que Romário e o PL se distanciaram desde a entrada de figuras próximas do bolsonarismo na liderança do partido, e que o senador tem votado de forma autónoma em pautas de relevância nacional — incluindo votos contrários a propostas alinhadas com o bolsonarismo no Congresso.
Implicações eleitorais e disciplina
O conflito põe em evidência duas questões centrais: a aplicação de regras de disciplina partidária a detentores de mandato e o peso dos apoios pessoais na geografia eleitoral do Rio de Janeiro. Para além da eventual perda de um parlamentar, a expulsão ou a saída motivada por apoio a adversários pode ter efeitos simbólicos sobre a coesão interna do PL no estado.
- Opção de Romário: aceitar expulsão ou pedir saída antes de apoiar Paes;
- Risco para o PL: desgaste público e debate sobre disciplina e autonomia parlamentar;
- Impacto eleitoral: reforço do palanque de Eduardo Paes caso o apoio seja formalizado.
Contexto mais amplo e referências eleitorais
A newsletter também evoca episódios eleitorais anteriores para contextualizar a autonomia de Romário: na eleição para o Senado de 2022, o senador venceu com 2,3 milhões de votos, enquanto Daniel Silveira, então candidato, obteve cerca de 1,5 milhão de votos apesar de decisões judiciais que restringiram a sua participação. Esses números são mencionados como ilustração da força eleitoral pessoal que Romário detém no Rio, factor que alimenta a sua capacidade de influenciar alinhamentos locais.
| Campanha | Votos (aprox.) |
|---|---|
| Romário (Senado, 2022) | 2,3 milhões |
| Daniel Silveira (Senado, 2022) | 1,5 milhão |
Até ao momento não há pronúncia oficial do gabinete do senador nem da direção nacional do PL sobre o desfecho pretendido por cada uma das partes. A polémica, porém, deverá permanecer na agenda política do Rio nas próximas semanas, na medida em que qualquer anúncio formal de apoio por parte de Romário activará automaticamente os mecanismos estatutários do partido e reacenderá o debate sobre disciplina, lealdade partidária e estratégia eleitoral.
Relatos públicos e a própria newsletter que divulgou a informação indicam que o tema continuará a ser monitorizado por dirigentes partidários e analistas, dada a potencial repercussão em candidaturas estaduais e na composição das bancadas no Congresso.