O diretor do Departamento de Educação e Formação da Cidade de Ho Chi Minh chamou, na conferência de balanço do ano letivo de 2025-2026, a atenção para o que descreveu como um excesso de formalismo nos relatórios e uma insuficiente focalização na qualidade real da educação. Em termos concretos, identificou desequilíbrios na distribuição de estabelecimentos escolares, carências em infraestruturas e fracos resultados em determinadas disciplinas que colocam em causa a vantagem competitiva do sistema educativo local.
Crítica aos relatórios e ênfase na realidade
Durante a sessão, o responsável sublinhou que os documentos de avaliação «têm tendência a privilegiar as conquistas», deixando as dificuldades apenas referidas de forma sumária. Numa intervenção direta, advertiu que essa prática não espelha a realidade e compromete progressos futuros.
«Os relatórios muitas vezes se concentram demais nas conquistas, enquanto as reais dificuldades enfrentadas pelo setor e que precisam ser abordadas são apenas mencionadas brevemente. Isso não reflete a realidade e, se continuar assim, não conseguiremos progredir.»
Ao descrever o mapa escolar da metrópole, com cerca de 17 milhões de habitantes após a reconfiguração administrativa, apontou existência simultânea de zonas com excesso de escolas e outras com escassez, bem como problemas pontuais de instalações escolares que exigem intervenção.
Falta de oferta especializada e novos desafios
O diretor chamou ainda a atenção para a insuficiência de respostas educacionais especializadas: há uma abundância relativa de escolas primárias e secundárias, mas uma carência de instituições de ensino médio e, acima de tudo, de estabelecimentos destinados a necessidades educativas especiais. Identificou especificamente a falta de escolas especializadas, de unidades para alunos com deficiência e para crianças com autismo, num contexto em que o número desses alunos tem vindo a aumentar.
Perante estes factos, levantou uma questão de responsabilidade: se a origem das lacunas é do setor educativo ou das autoridades locais, defendendo que a identificação honesta do problema é o primeiro passo para a sua resolução.
Resultados académicos e interrogações sobre qualidade
Nos resultados externos, o responsável referiu dados comparativos que suscitam inquietações. A título de ilustração, observou que, num universo populacional tão vasto, a obtenção de 288 prémios para alunos de destaque não é surpreendente; porém, a performance em palcos internacionais e em provas disciplinares revela fragilidades.
Entre os indicadores mencionados estão apenas uma medalha de bronze a nível internacional e posições médias que não garantem uma clara liderança: a cidade aparece em 2.º lugar na média de pontuações em matemática e em 3.º lugar em inglês, enquanto as médias em física e química ficam aquém da média nacional. Estas observações levaram o diretor a questionar «onde está a qualidade do nosso ensino superior?» e «qual é a responsabilidade dos professores e dos serviços de orientação profissional?» — indagações que colocam a reforma de prioridades no centro do debate.
| Indicador | Posição/Observação |
|---|---|
| População após fusão | 17 milhões |
| Prémios para alunos | 288 |
| Medalhas internacionais | 1 bronze |
| Matemática | 2.º lugar na média |
| Inglês | 3.º lugar na média |
| Física e Química | Médias inferiores à média nacional |
Consequências e próximos passos
A intervenção traduziu-se num apelo a uma mudança de paradigma: menos preocupação com a forma e mais investimento em soluções concretas que aumentem a qualidade do ensino e a equidade na oferta escolar. Entre as medidas implícitas no diagnóstico estão a necessidade de:
- avaliar honestamente as carências territoriais e infraestruturais;
- planear a expansão de escolas de ensino médio e unidades especializadas para alunos com necessidades educativas específicas;
- reforçar a qualidade do ensino nas disciplinas onde as médias ficam aquém da média nacional e melhorar a preparação para competições internacionais.
Ao colocar a questão da responsabilidade pública e setorial, a declaração do diretor do Departamento de Educação e Formação de Ho Chi Minh abre espaço para um debate sobre a governança educativa, a transparência dos relatórios e a necessidade de alinhar indicadores com resultados efetivos no terreno. Para a comunidade escolar, pais e decisores, a prioridade anunciada é clara: uma educação menos voltada para estatísticas e cerimónias e mais orientada para a melhoria mensurável da aprendizagem e da inclusão.