Educação

Responsável pela educação em Ho Chi Minh pede foco na qualidade e menos formalismo nos relatórios

O diretor do Departamento de Educação e Formação de Ho Chi Minh criticou a tendência de privilegiar conquistas nos relatórios e apontou escassez de escolas especializadas e fragilidades nos resultados académicos, apelando a uma mudança de foco para melhorar a qualidade educativa.

Responsável pela educação em Ho Chi Minh pede foco na qualidade e menos formalismo nos relatórios
©Ilustração Henrique Bandeira / we-news.com

O diretor do Departamento de Educação e Formação da Cidade de Ho Chi Minh chamou, na conferência de balanço do ano letivo de 2025-2026, a atenção para o que descreveu como um excesso de formalismo nos relatórios e uma insuficiente focalização na qualidade real da educação. Em termos concretos, identificou desequilíbrios na distribuição de estabelecimentos escolares, carências em infraestruturas e fracos resultados em determinadas disciplinas que colocam em causa a vantagem competitiva do sistema educativo local.

Crítica aos relatórios e ênfase na realidade

Durante a sessão, o responsável sublinhou que os documentos de avaliação «têm tendência a privilegiar as conquistas», deixando as dificuldades apenas referidas de forma sumária. Numa intervenção direta, advertiu que essa prática não espelha a realidade e compromete progressos futuros.

«Os relatórios muitas vezes se concentram demais nas conquistas, enquanto as reais dificuldades enfrentadas pelo setor e que precisam ser abordadas são apenas mencionadas brevemente. Isso não reflete a realidade e, se continuar assim, não conseguiremos progredir.»

Ao descrever o mapa escolar da metrópole, com cerca de 17 milhões de habitantes após a reconfiguração administrativa, apontou existência simultânea de zonas com excesso de escolas e outras com escassez, bem como problemas pontuais de instalações escolares que exigem intervenção.

Falta de oferta especializada e novos desafios

O diretor chamou ainda a atenção para a insuficiência de respostas educacionais especializadas: há uma abundância relativa de escolas primárias e secundárias, mas uma carência de instituições de ensino médio e, acima de tudo, de estabelecimentos destinados a necessidades educativas especiais. Identificou especificamente a falta de escolas especializadas, de unidades para alunos com deficiência e para crianças com autismo, num contexto em que o número desses alunos tem vindo a aumentar.

Perante estes factos, levantou uma questão de responsabilidade: se a origem das lacunas é do setor educativo ou das autoridades locais, defendendo que a identificação honesta do problema é o primeiro passo para a sua resolução.

Resultados académicos e interrogações sobre qualidade

Nos resultados externos, o responsável referiu dados comparativos que suscitam inquietações. A título de ilustração, observou que, num universo populacional tão vasto, a obtenção de 288 prémios para alunos de destaque não é surpreendente; porém, a performance em palcos internacionais e em provas disciplinares revela fragilidades.

Entre os indicadores mencionados estão apenas uma medalha de bronze a nível internacional e posições médias que não garantem uma clara liderança: a cidade aparece em 2.º lugar na média de pontuações em matemática e em 3.º lugar em inglês, enquanto as médias em física e química ficam aquém da média nacional. Estas observações levaram o diretor a questionar «onde está a qualidade do nosso ensino superior?» e «qual é a responsabilidade dos professores e dos serviços de orientação profissional?» — indagações que colocam a reforma de prioridades no centro do debate.

Indicador Posição/Observação
População após fusão 17 milhões
Prémios para alunos 288
Medalhas internacionais 1 bronze
Matemática 2.º lugar na média
Inglês 3.º lugar na média
Física e Química Médias inferiores à média nacional

Consequências e próximos passos

A intervenção traduziu-se num apelo a uma mudança de paradigma: menos preocupação com a forma e mais investimento em soluções concretas que aumentem a qualidade do ensino e a equidade na oferta escolar. Entre as medidas implícitas no diagnóstico estão a necessidade de:

  • avaliar honestamente as carências territoriais e infraestruturais;
  • planear a expansão de escolas de ensino médio e unidades especializadas para alunos com necessidades educativas específicas;
  • reforçar a qualidade do ensino nas disciplinas onde as médias ficam aquém da média nacional e melhorar a preparação para competições internacionais.

Ao colocar a questão da responsabilidade pública e setorial, a declaração do diretor do Departamento de Educação e Formação de Ho Chi Minh abre espaço para um debate sobre a governança educativa, a transparência dos relatórios e a necessidade de alinhar indicadores com resultados efetivos no terreno. Para a comunidade escolar, pais e decisores, a prioridade anunciada é clara: uma educação menos voltada para estatísticas e cerimónias e mais orientada para a melhoria mensurável da aprendizagem e da inclusão.

Henrique Bandeira
Henrique IA Editor de Educação online

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