O Hospital da Horta, no Faial, reabriu hoje espaços remodelados e com novos equipamentos que o Governo dos Açores aponta como elemento central na estratégia de reforço da oferta hospitalar regional. A intervenção, orçada em 15 milhões de euros, inclui a instalação de um aparelho de ressonância magnética que já permitiu reduzir deslocações de doentes para outras ilhas.
Investimento e intervenção física
A empreitada de requalificação abrangeu várias frentes: substituição da rede de água, renovação de coberturas, caixilharias e caldeiras, pinturas interiores e exteriores, criação de um novo espaço de imagiologia e intervenções nas três alas de internamento — médica, cirúrgica e traumatológica — assim como na área de consultas. O executivo regional destaca a aquisição de equipamentos como um dos vetores que justificam a intervenção.
Governo regional e interpretação das contas do SRS
Na cerimónia de inauguração, o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, afirmou que o crescimento das despesas do Serviço Regional de Saúde (SRS) não deve ser interpretado como sinal de má gestão hospitalar, mas sim como consequência de uma maior actividade e de ganhos de produtividade.
«Diria eu, se fosse meramente um gestor do cifrão, como é que pela digitalização, pela diminuição de deslocações e pela perícia dos meios de diagnóstico e terapêutica, continuamos a aumentar a despesa hospitalar»
O responsável vincou que este aumento de despesa está acompanhado de uma prestação de cuidados mais adequada às necessidades dos açorianos: «o Serviço Regional de Saúde está a aumentar a produtividade e a servir melhor os açorianos», declarou.
Impacto concreto na circulação de doentes
O novo aparelho de ressonância magnética no Hospital da Horta é referido como exemplo prático da política de complementaridade entre os três hospitais regionais (Horta, Terceira e Ponta Delgada). Segundo o Governo, a existência deste equipamento já evitou «deslocações várias dos utentes para outra ilha, para outro hospital, para fazerem ressonância magnética», aliviando custos pessoais e logísticos para pacientes e famílias.
- Redução de deslocações: menos transferências inter-ilhas para exames de imagiologia.
- Acessibilidade: pacientes do Faial passam a ter acesso local a exames que antes implicavam viagem.
- Complementaridade regional: equipamento disponível para a região quando houver lista de espera noutras ilhas.
Complementaridade entre ilhas
O presidente do executivo salientou que o equipamento servirá os Açores como um todo, sempre que se justifique e exista capacidade para o fazer. A intenção expressa é que, em situações de lista de espera noutras unidades hospitalares, o aparelho da Horta possa ser utilizado para responder à procura, reforçando uma lógica de rede entre as três principais infraestruturas hospitalares regionais.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Valor da empreitada | 15 milhões de euros |
| Principais intervenções | Rede de água, coberturas, caixilharias, caldeiras, pinturas, nova imagiologia, alas de internamento e consultas |
| Equipamento destacado | Ressonância magnética — reduz deslocações de utentes entre ilhas |
Considerações sobre insularidade
Nas ilhas, a proximidade com o mar e a dispersão geográfica tornam cada novo aparelho de diagnóstico mais do que uma melhoria técnica: significa menos horas de viagem, menos dependência de transportes marítimos ou aéreos e uma redução do encargo para famílias que, em muitos casos, enfrentam dificuldades logísticas e financeiras para aceder a cuidados fora da sua ilha. A introdução da ressonância magnética na Horta insere-se nesta lógica de mitigar as assimetrias provocadas pela insularidade.
Os responsáveis regionais sustentam que o aumento da despesa do SRS é acompanhado por ganhos em capacidade e qualidade de resposta, argumentos que entram no debate público sobre sustentabilidade orçamental e eficiência dos serviços de saúde. A utilização mais eficiente dos meios de diagnóstico e a redução das deslocações hospitalares são apontadas como factores que, apesar de acrescerem custos directos, valorizam o serviço prestado aos utentes.
A inauguração concretiza-se num momento em que a governação regional procura equilibrar investimentos estruturais com a gestão corrente dos recursos do SRS, numa região onde a dimensão e a dispersão das populações condicionam fortemente a organização da resposta sanitária.
Fonte: declarações do presidente do Governo dos Açores durante a inauguração das obras do Hospital da Horta.