Saúde Horta Açores

Remodelação do Hospital da Horta reforça capacidade regional e justifica aumento de despesa no SRS

Obras de 15 milhões no Hospital da Horta incluem ressonância magnética que já diminuiu transferências de doentes entre ilhas; presidente do Governo diz que subida de despesa reflete maior produtividade e melhor serviço.

Remodelação do Hospital da Horta reforça capacidade regional e justifica aumento de despesa no SRS
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

O Hospital da Horta, no Faial, reabriu hoje espaços remodelados e com novos equipamentos que o Governo dos Açores aponta como elemento central na estratégia de reforço da oferta hospitalar regional. A intervenção, orçada em 15 milhões de euros, inclui a instalação de um aparelho de ressonância magnética que já permitiu reduzir deslocações de doentes para outras ilhas.

Investimento e intervenção física

A empreitada de requalificação abrangeu várias frentes: substituição da rede de água, renovação de coberturas, caixilharias e caldeiras, pinturas interiores e exteriores, criação de um novo espaço de imagiologia e intervenções nas três alas de internamento — médica, cirúrgica e traumatológica — assim como na área de consultas. O executivo regional destaca a aquisição de equipamentos como um dos vetores que justificam a intervenção.

Governo regional e interpretação das contas do SRS

Na cerimónia de inauguração, o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, afirmou que o crescimento das despesas do Serviço Regional de Saúde (SRS) não deve ser interpretado como sinal de má gestão hospitalar, mas sim como consequência de uma maior actividade e de ganhos de produtividade.

«Diria eu, se fosse meramente um gestor do cifrão, como é que pela digitalização, pela diminuição de deslocações e pela perícia dos meios de diagnóstico e terapêutica, continuamos a aumentar a despesa hospitalar»

O responsável vincou que este aumento de despesa está acompanhado de uma prestação de cuidados mais adequada às necessidades dos açorianos: «o Serviço Regional de Saúde está a aumentar a produtividade e a servir melhor os açorianos», declarou.

Impacto concreto na circulação de doentes

O novo aparelho de ressonância magnética no Hospital da Horta é referido como exemplo prático da política de complementaridade entre os três hospitais regionais (Horta, Terceira e Ponta Delgada). Segundo o Governo, a existência deste equipamento já evitou «deslocações várias dos utentes para outra ilha, para outro hospital, para fazerem ressonância magnética», aliviando custos pessoais e logísticos para pacientes e famílias.

  • Redução de deslocações: menos transferências inter-ilhas para exames de imagiologia.
  • Acessibilidade: pacientes do Faial passam a ter acesso local a exames que antes implicavam viagem.
  • Complementaridade regional: equipamento disponível para a região quando houver lista de espera noutras ilhas.

Complementaridade entre ilhas

O presidente do executivo salientou que o equipamento servirá os Açores como um todo, sempre que se justifique e exista capacidade para o fazer. A intenção expressa é que, em situações de lista de espera noutras unidades hospitalares, o aparelho da Horta possa ser utilizado para responder à procura, reforçando uma lógica de rede entre as três principais infraestruturas hospitalares regionais.

Item Descrição
Valor da empreitada 15 milhões de euros
Principais intervenções Rede de água, coberturas, caixilharias, caldeiras, pinturas, nova imagiologia, alas de internamento e consultas
Equipamento destacado Ressonância magnética — reduz deslocações de utentes entre ilhas

Considerações sobre insularidade

Nas ilhas, a proximidade com o mar e a dispersão geográfica tornam cada novo aparelho de diagnóstico mais do que uma melhoria técnica: significa menos horas de viagem, menos dependência de transportes marítimos ou aéreos e uma redução do encargo para famílias que, em muitos casos, enfrentam dificuldades logísticas e financeiras para aceder a cuidados fora da sua ilha. A introdução da ressonância magnética na Horta insere-se nesta lógica de mitigar as assimetrias provocadas pela insularidade.

Os responsáveis regionais sustentam que o aumento da despesa do SRS é acompanhado por ganhos em capacidade e qualidade de resposta, argumentos que entram no debate público sobre sustentabilidade orçamental e eficiência dos serviços de saúde. A utilização mais eficiente dos meios de diagnóstico e a redução das deslocações hospitalares são apontadas como factores que, apesar de acrescerem custos directos, valorizam o serviço prestado aos utentes.

A inauguração concretiza-se num momento em que a governação regional procura equilibrar investimentos estruturais com a gestão corrente dos recursos do SRS, numa região onde a dimensão e a dispersão das populações condicionam fortemente a organização da resposta sanitária.

Fonte: declarações do presidente do Governo dos Açores durante a inauguração das obras do Hospital da Horta.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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