Um estudo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM) mostra que 83% dos inquiridos consideram que os gastos relacionados com o regresso às aulas aumentaram face ao ano anterior. A despesa média por filho estimada é de 179 euros, mas existem diferenças importantes entre as famílias.
Distribuição dos gastos e comportamentos de compra
Segundo o inquérito, as previsões de despesa repartem-se de forma desigual: 43% planeiam gastar entre 100 e 249 euros, 18% preveem menos de 50 euros, e 9% antecipam custos iguais ou superiores a 400 euros. Este leque aponta para realidades financeiras distintas, que condicionam estratégias de compra e prioridades orçamentais.
| Faixa de despesa por filho | Percentagem de famílias |
|---|---|
| Menos de 50 € | 18% |
| 100 a 249 € | 43% |
| 400 € ou mais | 9% |
Face ao aumento de custos, as famílias adotaram uma abordagem mais racional nas compras. A comparação de preços é prática corrente para 86% dos entrevistados e 97% declararam reaproveitar pelo menos algum material escolar — seja reduzindo compras, reutilizando artigos do ano anterior ou preferindo alternativas mais económicas.
Canal de compra: presença digital, preferência pela loja física
O estudo evidencia uma jornada de compra híbrida: embora a consulta de informação comece frequentemente no digital, a preferência final recai maioritariamente sobre estabelecimentos físicos. 69% dos inquiridos afirmam comprar principalmente em lojas físicas, enquanto apenas 16% o fazem exclusivamente online. Em paralelo, 64% consultam sites de marcas e 54% recorrem a motores de busca antes de concretizar as aquisições.
«O regresso às aulas tornou‑se um bom exemplo de como a jornada de consumo deixou de poder ser analisada separando o físico do digital», afirma Mafalda Ferreira, coordenadora do estudo.
Estes dados sublinham uma tendência que muitos retalhistas já reconhecem: a pesquisa e a descoberta de produtos iniciam-se no ambiente digital, mas a confiança e a experiência de compra continuam a favorecer o ponto de venda tradicional. Para os comerciantes, isto implica gerir uma presença omnicanal eficaz — informação acessível online, mas com oferta e atendimento competitivos em loja.
Influência dos filhos e das redes sociais
Outro sinal destacado pela investigação é o crescente papel das crianças e jovens nas decisões de compra. Quase metade dos responsáveis considera que os filhos exercem mais de 50% da influência na escolha dos artigos escolares. Esta influência aumenta com a idade: entre estudantes do ensino secundário, a percentagem sobe para 88%.
As redes sociais são um motor importante deste fenómeno: 55% dos inquiridos admitiram ter recebido pedidos de compra dos filhos após estes verem produtos nas plataformas sociais. O resultado é um ciclo em que as tendências difundidas online traduzem‑se rapidamente em escolhas familiares e em procura por produtos específicos.
- 83% das famílias notaram um aumento dos gastos.
- Despesa média por filho: 179 €.
- 97% reutilizam material escolar; 86% comparam preços.
As conclusões do IPAM colocam questões práticas para decisores públicos e agentes económicos. Para os agregados familiares, os dados reforçam a necessidade de planear orçamentos e de procurar alternativas mais económicas. Para retalhistas e marcas, sublinham a importância de alinhar estratégias digitais e físicas e de responder às preferências de faixas etárias distintas. Para as políticas públicas, os resultados podem informar medidas de apoio ou campanhas de sensibilização sobre consumo sustentável e planeamento familiar em períodos de pico de despesa.
Em contexto de aumento generalizado dos custos, perceber onde as famílias cortam ou investem durante o regresso às aulas torna‑se útil para antecipar tendências de consumo ao longo do ano lectivo e para desenhar respostas que atenuem pressões orçamentais.