A sexta etapa do Campeonato dos Açores de Ralis terminou com uma exibição de domínio por parte de Luís Miguel Rego, que, ao lado do navegador José Janela, venceu a prova e garantiu, de forma virtual, o título regional. A dupla, ao comando do único Škoda Fabia RS Rally2 presente no evento, assinou o melhor tempo em todos os nove troços cronometrados e consolidou uma vantagem confortável na classificação geral.
Uma temporada marcada pela consistência
A vitória nesta etapa representa o sexto triunfo consecutivo de Rego na presente época, performance que lhe permite selar o pentacampeonato regional antes do término do calendário competitivo. O domínio do piloto sobre a prova mariense foi patente desde os momentos iniciais, quando assumiu a liderança e não mais a perdeu, impondo um ritmo que as restantes equipas não conseguiram acompanhar.
Para as ilhas, onde a geografia e as condições meteorológicas podem multiplicar as adversidades mecânicas e logísticas, a regularidade de uma equipa com um carro de categoria Rally2 revela um investimento e uma organização que se destacam no panorama regional. A prestação consistente de Rego e Janela traduz também a preparação técnica e a leitura precisa das especiais, fundamentais num arquipélago em que as estradas estreitas e as mudanças rápidas de tempo testam pilotos e máquinas.
Disputa pelas restantes posições
Com o primeiro lugar praticamente decidido logo no início, a luta concentrou‑se nas posições secundárias e nas classificações específicas, como as Duas Rodas Motrizes. A dupla Pedro Câmara / Nuno Cabral, em Opel Corsa Rally4, assegurou o segundo lugar da geral e a vitória entre os carros de tração dianteira, exibindo ritmo sólido ao longo dos troços.
Em terceiro lugar ficou a dupla formada por Max Salvador e João Valente, ao volante de um Mitsubishi Lancer Evo IX, que travou um duelo intenso até ao último quilómetro e acabou por fechar o pódio.
- 1.º — Luís Miguel Rego / José Janela (Škoda Fabia RS Rally2) — 50m17,8s
- 2.º — Pedro Câmara / Nuno Cabral (Opel Corsa Rally4) — a 3m09,5s
- 3.º — Max Salvador / João Valente (Mitsubishi Lancer Evo IX) — a 3m12,5s
Resultados finais
| Posição | Piloto / Navegador | Automóvel | Tempo / Diferença |
|---|---|---|---|
| 1.º | Luís Miguel Rego / José Janela | Škoda Fabia RS Rally2 | 50m17,8s |
| 2.º | Pedro Câmara / Nuno Cabral | Opel Corsa Rally4 | +3m09,5s |
| 3.º | Max Salvador / João Valente | Mitsubishi Lancer Evo IX | +3m12,5s |
Além da luta pelos lugares do pódio, a prova evidenciou o papel relevante de equipas amadoras e de prepararistas locais, principais responsáveis por colocar carros competitivos na estrada, mesmo quando os custos de logística entre ilhas e a necessidade de transporte marítimo aumentam a complexidade das participações.
Impacto no Campeonato
O triunfo de Rego tem implicações diretas na classificação regional: a margem pontual acumulada ao longo da temporada permite ao piloto fechar antecipadamente as contas do campeonato, tornando‑o virtualmente campeão antes das etapas finais. Esta situação liberta pressão à equipa e pode influenciar as estratégias nas provas que fecham o calendário, onde os adversários procurarão somar pontos para consolidação das suas próprias posições.
Para as comunidades insulares, os ralis continuam a ser um acontecimento de forte mobilização social e económica — atraem público local, dinamizam oficinas e fornecedores, e oferecem visibilidade a patrocinadores regionais. As características específicas das estradas açorianas — curvas fechadas, variações de piso e microclimas — valorizam a experiência de pilotos locais, que conhecem bem os traçados e as nuances de condução insular.
O Campeonato dos Açores de Ralis segue agora para as etapas restantes do calendário, com pilotos e equipas a prepararem‑se entre ilhas e a ajustar logística e afinações. Embora o título regional esteja, na prática, decidido, ainda há pontos em disputa e razões competitivas para que a temporada termine com confrontos táticos e desportivos.
Do arquipélago, onde o mar é muitas vezes a primeira e última fronteira entre provas e oficinas, a continuidade destas competições mantém viva a tradição automobilística e dá oportunidade a novos talentos locais de se afirmarem perante um público atento e apaixonado pelas máquinas e pela velocidade controlada nas estradas das ilhas.