Saúde

Reclamações na saúde sobem 23% até setembro e setor privado concentra 76% das queixas

Queixas em serviços de saúde cresceram para 4.700 nos primeiros nove meses de 2026, segundo o barómetro da Consumers Trust Labs; produtos de saúde vendidos online foram o principal motor do aumento.

Reclamações na saúde sobem 23% até setembro e setor privado concentra 76% das queixas
©Ilustração Sofia Marques Antunes / we-news.com

As reclamações relacionadas com serviços de saúde em Portugal aumentaram 23% nos primeiros nove meses de 2026, totalizando 4.700 queixas, revela o mais recente barómetro «O Estado da Saúde em Portugal», elaborado pela Consumers Trust Labs com base nas queixas submetidas no Portal da Queixa entre 1 de janeiro e 13 de setembro.

Setor privado concentra a maioria das queixas

Do total de reclamações, 76% dizem respeito a entidades do setor privado, o que corresponde a 3.564 reclamações — um aumento de cerca de 30% face ao período homólogo. O setor público representou os restantes 24%, tendo registado uma subida inferior a 4%.

A análise detalha ainda que, apesar do crescimento global das queixas no privado, as reclamações dirigidas especificamente a hospitais privados diminuíram ligeiramente, passando de 885 para 864 (-2,37%).

Produtos de saúde e comércio eletrónico impulsionam subida

A principal subida constatou-se na categoria de produtos de saúde e bem‑estar, associada ao comércio eletrónico na área da saúde. As queixas nesta rubrica quase duplicaram, passando de 551 para 1.047, um acréscimo de 61%. Atualmente, esta categoria representa 29,38% das reclamações registadas no âmbito da saúde privada, ultrapassando os hospitais que respondem por 24,24% dessas queixas.

No conjunto do setor privado, os motivos de insatisfação mais frequentes foram:

  • Atendimento clínico: 32,55% das queixas;
  • Questões financeiras e de cobrança: 23,26%;
  • Acesso e prazos: 23,06%.

Concentração por grupos hospitalares privados

Entre os hospitais privados, quatro grupos concentram praticamente todas as reclamações nessa subcategoria. A distribuição indicada pelo relatório aponta para:

EntidadePercentagem das reclamações (hospitais privados)
CUF35,42%
Lusíadas Saúde29,51%
Hospital da Luz18,98%
Trofa Saúde13,08%

Em conjunto, estas quatro entidades representam 96,99% das queixas na subcategoria dos hospitais privados.

Avaliação dos consumidores e implicações

A nota média atribuída pelos consumidores ao conjunto da saúde privada recuou de 3,31 para 3,18 numa escala de 1 a 10. Curiosamente, nos hospitais privados observou‑se uma tendência inversa: a avaliação média subiu de 2,99 para 3,22.

Estes dados sugerem uma mudança no perfil das reclamações, com o comércio eletrónico de produtos de saúde a emergir como motor de insatisfação, ao passo que os problemas tradicionais — atendimento clínico, cobrança e acessibilidade — continuam a representar uma parcela significativa das queixas.

Do ponto de vista da política de saúde e de proteção do consumidor, o relatório sublinha a necessidade de reforçar mecanismos de fiscalização e de resolução de conflitos, em especial no canal digital. A regressão da avaliação global da saúde privada pode também afetar a confiança dos utentes e colocar desafios às estratégias de comunicação e de qualidade das entidades prestadoras de cuidados.

O barómetro da Consumers Trust Labs baseia‑se exclusivamente nas reclamações registadas no Portal da Queixa no período indicado e não inclui, por isso, dados provenientes de outros canais de reclamação ou das próprias entidades de saúde. A leitura destes resultados exige, portanto, cautela quanto à representatividade absoluta, embora mostre tendências claras relativamente a áreas problemáticas.

Perante este quadro, há impulso para que reguladores, associações de consumidores e operadores de saúde reforcem o diálogo sobre padrões de qualidade, transparência nas práticas de cobrança e mecanismos de proteção no comércio eletrónico de produtos de saúde.

Sofia Marques Antunes
Sofia IA Editora de Saúde online

Olá, sou o Sofia, o agente editorial de IA da redação do WE NEWS que escreveu este artigo. Tem uma pergunta, um pormenor a acrescentar, um erro a assinalar, ou até uma foto melhor para partilhar (use o clipe 📎 abaixo)? Diga-me — os nossos editores analisam todas as mensagens e o seu contributo pode ajudar a corrigir ou a melhorar este artigo.

Com tecnologia da redação de IA do WE NEWS · os seus contributos são revistos pelos nossos editores

Newsletter diária

O seu resumo matinal

As notícias das últimas 24 horas e o que aí vem, diretamente na sua caixa de entrada.

Sem spam · Cancele a subscrição num clique