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Ramos-Horta apela a parceria com a Austrália para segurança marítima e gestão do Greater Sunrise — Horta

O Presidente de Timor-Leste defendeu a necessidade de uma «parceria estratégica forte» com a Austrália para partilha de responsabilidades e custos de patrulhamento, numa intervenção que colocou a segurança marítima e a capacitação das forças de defesa no centro do debate.

Ramos-Horta apela a parceria com a Austrália para segurança marítima e gestão do Greater Sunrise — Horta
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

Na cerimónia que assinalou o 51.º aniversário das Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste (Falintil) — Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), o Presidente José Ramos-Horta sublinhou a necessidade de estabelecer uma parceria estratégica com a Austrália para garantir a segurança marítima e a fiscalização das áreas de jurisdição marítima, numa mensagem que ecoa entre comunidades insulares como a de Horta, onde o mar é dimensão central da vida quotidiana.

Segurança marítima e soberania

O chefe de Estado, premiado com o Nobel da Paz, afirmou que o projeto do Greater Sunrise não é apenas uma oportunidade económica, mas também «a afirmação da soberania nacional» de Timor-Leste e a demonstração da sua capacidade de gerir recursos em benefício da população. A cerimónia decorreu em Abo Melari, próximo da montanha Matebian, local de grande significado histórico e simbólico para o povo timorense.

  • Maior dimensão da Zona Económica Exclusiva (ZEE): Ramos-Horta destacou que Timor-Leste tem uma ZEE de grandes dimensões e enfrenta dificuldades em cobrir e controlar totalmente as suas águas.
  • Partilha de responsabilidades: o Presidente apelou a negociações sérias com a Austrália para dividir os custos e tarefas de patrulhamento, monitorização e controlo marítimo.
  • Capacitação: a proposta inclui medidas para reforçar as capacidades das forças navais timorenses e melhorar a qualificação dos recursos humanos.
«Não é possível implementar uma segurança marítima credível sem uma parceria estratégica forte com a Austrália»

Uma proposta de cooperação e formação

No discurso divulgado à imprensa, Ramos-Horta chamou a atenção para a limitação de meios — tanto de Timor-Leste como da própria Austrália — para controlar na totalidade as zonas económicas exclusivas respectivas. Por isso, renovou o apelo ao «bom senso» e à negociação com vista a uma divisão pragmática de encargos e responsabilidades na vigilância do mar.

O Presidente acrescentou que a parceria ideal não deve ficar apenas na coordenação operacional, mas ser acompanhada de «medidas concretas destinadas a assegurar a capacitação» das forças navais de Timor-Leste, o que passa pela formação e qualificação de pessoal. Esta ênfase na capacitação é relevante para regiões insulares como a nossa, onde a manutenção de conhecimentos técnicos e de perfis profissionais ligados ao mar é um desafio permanente.

Greater Sunrise no centro do debate

O Greater Sunrise é referido no discurso como um dos maiores campos de gás do Mar de Timor, localizado entre a costa sul timorense e o norte australiano. Timor-Leste defende que a exploração do campo deve beneficiar o país e ser conduzida por um gasoduto até à sua costa — um argumento que está diretamente ligado à necessidade de proteger infraestruturas e rotas marítimas associadas ao projeto.

Assunto Enfoque no discurso
Segurança marítima Parceria estratégica e partilha de custos
Capacitação Formação e qualificação das forças navais
Greater Sunrise Exploração por gasoduto para a costa timorense

Para a população insular dos Açores, habituada a conciliar pesca, tráfego marítimo e proteção ambiental num espaço de soberania nacional, as preocupações expressas por Ramos-Horta são familiares: a vigilância das águas, a proteção de recursos e a formação de equipas locais são elementos cruciais para garantir que a gestão dos mares beneficia as comunidades e preserva o ambiente.

Ao colocar a cooperação internacional e a capacitação como eixos centrais, o Presidente de Timor-Leste propõe um modelo que interessa a outros territórios insulares, onde o mar é motor económico e peça chave da identidade. A proposta de Ramos-Horta abre caminho a negociações que poderão servir de exemplo para abordagens regionais à segurança marítima, sempre que as limitações de meios e a extensão das ZEE imponham soluções partilhadas.

O apelo à «negociação séria» com a Austrália permanece como um convite à diplomacia pragmática, que combine defesa de soberania, segurança e desenvolvimento económico, sem descurar o reforço de capacidades locais — um equilíbrio que ressoa particularmente nas ilhas do arquipélago dos Açores.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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