Agnes Jebet Ngetich quebrou hoje o recorde mundial da meia-maratona ao triunfar na prova feminina dos Mundiais de Estrada, em Copenhaga, completando os 21,0975 km em 1:05.15. Aquele tempo supera em um segundo a marca anteriormente detida pela também queniana Peres Jepchirchir, registada nos Mundiais de Gdynia, em 2020.
Domínio queniano no pódio feminino
Ngetich venceu com ampla vantagem sobre as adversárias: a compatriota Veronica Loleo foi segunda, em 1:06.05, enquanto a ruandesa Florence Niyonkuru completou o pódio com 1:06.08. Estas prestações consolidam a presença africana de elite nas distâncias de estrada.
No conjunto das atletas portuguesas em prova, a melhor colocação foi a de Susana Santos, que terminou no 53.º lugar, com o tempo de 1:12.00. A seguir surgiram Salomé Rocha, 65.ª com 1:13.30, e Mónica Silva, 67.ª com 1:13.34.
Recorde europeu surpreendente no setor masculino
Na prova masculina houve igualmente notícia de destaque: o sueco Andreas Almgren estabeleceu nova melhor marca europeia ao vencer em 58:06. Aquele tempo representa uma melhoria de 35 segundos relativamente ao anterior máximo continental, que era da sua autoria — registado em Valência no passado mês de outubro.
O pódio masculino ficou completo com o queniano Nicholas Kipkorir, segundo em 58:11, e o ugandês Joshua Cheptegei, terceiro com 58:26. Cheptegei é recordista mundial dos 5.000 e dos 10.000 metros, pelo que mantém-se uma figura central nas provas de longa distância.
Os atletas portugueses na prova masculina concluíram em posições mais recuadas: Samuel Barata foi 78.º com 1:03.50 e Rui Pinto terminou em 85.º, com 1:04.27.
- Nova marca mundial feminina: Agnes Jebet Ngetich — 1:05.15.
- Nova melhor marca europeia: Andreas Almgren — 58:06.
- Melhor portuguesa (feminino): Susana Santos — 53.ª, 1:12.00.
Contexto e consequências
A melhoria do recorde mundial por parte de Ngetich insere-se numa sequência de performances de alto nível na meia-maratona feminina, onde os limites têm sido progressivamente empurrados nas últimas temporadas. Romper a barreira do que anteriormente era considerado um tempo-limite para o escalão mundial reforça a competitividade nas provas de estrada e coloca pressão sobre as casas de formação de atletas e programas nacionais que pretendam disputar medalhas em grandes competições.
Do lado europeu, a marca de Almgren tem impacto direto na hierarquia continental: reduzir em mais de meia-minuto um máximo que já lhe pertencia demonstra uma evolução de rendimento do próprio atleta e uma capacidade de renovação competitiva na Europa, tradicionalmente menos dominante nas distâncias de estrada face a África. Para os seleções e treinadores europeus, a nova referência será um ponto de comparação para programas de preparação e estratégias de participação em futuros campeonatos.
Para Portugal, as colocações obtidas pelos atletas nacionais evidenciam que há presença regular em campeonatos mundiais, mas também que o gap para os primeiros classificados permanece significativo nas duas provas. As performances individuais de Susana Santos, Salomé Rocha, Mónica Silva, Samuel Barata e Rui Pinto oferecem elementos para a análise técnica das estruturas de fundo e meio-fundo em Portugal, nomeadamente sobre treino, calendário competitivo e recursos destinados à preparação para provas internacionais.
| Categoria | 1.º | 2.º | 3.º |
|---|---|---|---|
| Feminina | Agnes Jebet Ngetich — 1:05.15 | Veronica Loleo — 1:06.05 | Florence Niyonkuru — 1:06.08 |
| Masculina | Andreas Almgren — 58:06 | Nicholas Kipkorir — 58:11 | Joshua Cheptegei — 58:26 |
Os resultados em Copenhaga serão objeto de análise pela comunidade técnica do atletismo internacional, enquanto se prepara o circuito de provas de estrada do próximo ano e as seleções ajustam calendários rumo aos eventos de referência da próxima temporada.