O Japão regista uma queda acentuada no número de frequentadores de praias para banho, fenómeno que está a provocar o encerramento de áreas balneares e a pressionar financeiramente as administrações locais. Dados de instituições japonesas apontam para uma redução consistente tanto no número de praias oficialmente abertas como no total de pessoas que vão à praia pelo menos uma vez por ano.
Menos banhistas, menos receitas
Em Osaka, várias praias não abriram oficialmente esta temporada devido à diminuição de público e às dificuldades económicas acumuladas. Entre os locais que ficaram encerrados estão a Tannowa Beach (Tokimeki Beach), em Misaki, e a Hakotsukuri Beach (Pichipichi Beach), em Hannan. A diminuição de visitantes tem impacto direto nas receitas, que dependem sobretudo de serviços como estacionamento e armários, bem como das taxas associadas a balneação organizada e vigilância.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Pico de visitantes em Tannowa (2016) | 101,7 mil |
| Visitantes em Tannowa (último ano referido) | 33,4 mil |
| Visitantes em Pichipichi (último ano fiscal) | c. 20 mil |
| Praias oficialmente abertas (início anos 2000) | > 1.300 |
| Praias oficialmente abertas (2024) | 969 |
| Pessoas que foram à praia pelo menos uma vez/ano (2015) | 7,6 milhões |
| Pessoas que foram à praia pelo menos uma vez/ano (2024) | 4,4 milhões |
Factores e consequências
Entre as causas apontadas para o declínio estão o calor extremo, o risco de insolação, a receio de queimaduras solares e uma maior diversificação das opções de lazer. A diminuição de público levou algumas administrações a enfrentar prejuízos sucessivos e até dificuldades para contratar salva-vidas, o que motivou a opção por não abrir oficialmente determinadas praias nesta época estival.
«Investir num turismo de ano inteiro, aproveitando paisagens, gastronomia local e outras atrações além do banho de mar»
Especialistas citados nos levantamentos defendem precisamente uma reconfiguração da oferta: passar do modelo estritamente sazonal para um turismo costeiro que funcione ao longo de todo o ano, valorizando experiências gastronómicas, passeios, património e actividades que não dependam apenas da temperatura da água.
O que muda na prática
Para gestores locais e empresas do setor, a tendência coloca desafios imediatos mas também oportunidades de adaptação. Entre as medidas normalmente sugeridas por agentes do turismo e organizações sectoriais estão:
- Diversificar a oferta turística para além do banho de mar, com eventos culturais e gastronómicos fora da época alta;
- Investir em infraestruturas que acolham visitantes mesmo em condições climáticas adversas (centros de interpretação, circuitos costeiros);
- Promover o turismo de proximidade e experiências locais que possam funcionar em todas as estações;
- Rever os modelos de financiamento da vigilância e serviços balneares para reduzir a dependência das receitas sazonais.
O levantamento da Associação de Promoção do Turismo do Japão mostra que o número de praias oficialmente abertas caiu cerca de 30% em aproximadamente três décadas, uma tendência que se reflecte também na alteração de hábitos dos residentes e visitantes.
Perspectivas
Se a mudança de hábitos se mantiver, as zonas costeiras japonesas podem acelerar estratégias para um turismo mais sustentável e menos dependente de picos sazonais. A transição implica planeamento integrado, apoio institucional e comunicações que valorizem o território para além da época balnear — uma adaptação que poderá, com o tempo, estabilizar rendimentos e manter activos espaços que hoje correm o risco de encerrar.
Fonte: Sankei Shimbun, Associação de Promoção do Turismo do Japão e Japan Productivity Center.