A Proteção Civil recomendou esta terça-feira que os visitantes que se desloquem ao Parque Natural de Montesinho, em Bragança, para observar o eclipse solar estacionem apenas em áreas sinalizadas e evitem comportamentos que possam provocar incêndios, como fumar ou acender fogo. O apelo foi feito face ao risco que se espera ser máximo naquela área sensível do nordeste transmontano.
Medidas e recomendações
O comandante do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Terras de Trás-os-Montes, João Noel Afonso, enumerou as orientações dirigidas aos milhares de visitantes aguardados na quarta-feira. Para reduzir o risco de ignição e garantir uma observação segura, as instruções incluem:
- Estacionar apenas nos locais autorizados e sinalizados;
- Não fazer fogo nem acender churrasqueiras;
- Não fumar em zonas com vegetação ou propensas a incêndio;
- Respeitar eventuais condicionamentos de acesso implementados pela autoridade.
«Não fazer fogo», «não fumar» e «não estacionar» veículos em zonas com arbustos, apelou o comandante.
Segundo o responsável, as recomendações dirigem‑se também a outras áreas rurais e florestais do país onde as pessoas possam deslocar‑se para assistir ao fenómeno, com o objectivo de que todos «possam desfrutar do momento em segurança».
Plano operacional e reforço de meios
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) preparou um plano específico para responder à afluência prevista. Esse plano contempla, entre outras medidas, o condicionamento de acessos a determinadas áreas do parque e o posicionamento de meios operacionais, incluindo a presença da GNR, de modo a aumentar a capacidade de resposta e a dissuadir comportamentos de risco.
O reforço operacional destina‑se tanto a melhorar a capacidade de intervenção em caso de emergência como a prevenir incidentes provocados pela concentração atípica de visitantes numa zona ecológica e paisagisticamente sensível.
Quando e onde será visível o eclipse
O eclipse solar ocorrerá esta quarta‑feira e constitui um acontecimento invulgar em Portugal. Na faixa mais reduzida do Parque Natural de Montesinho o eclipse será total (100%), algo que não acontecia no território português desde 1912. No restante continente o fenómeno será parcial, com valores de visibilidade entre 92% e 99%, e nos arquipélagos a percentagem ficará entre 74% e 77%.
| Área | Percentagem de ocultação |
|---|---|
| Parque Natural de Montesinho (faixa reduzida) | 100% (total) |
| Continente (restante território) | 92%–99% (parcial) |
| Açores e Madeira | 74%–77% (parcial) |
Quanto ao calendário do evento, o eclipse deverá começar perto das 18h30 e prolongar‑se por cerca de duas horas, com o ponto alto esperado por volta das 19h30.
Contexto e consequências
A concentração prevista de observadores em Montesinho coloca desafios logísticos e de segurança: além do perigo evidente de incêndio devido às condições de vegetação e ao tempo quente, a gestão de trânsito e de estacionamento em áreas não preparadas pode aumentar o risco de incidentes. O condicionamento de acessos e o reforço de meios visam reduzir esses riscos e garantir que a experiência decorra com a máxima segurança para moradores e visitantes.
As autoridades sublinham que atitudes simples, como evitar fumar ou estacionar em zonas com arbustos, podem ter um papel determinante na prevenção de fogos rurais, sobretudo num momento em que a pressão humana sobre um espaço natural se intensifica. A mensagem central é de prudência: observar um fenómeno raro não dispensa o cumprimento de regras básicas de segurança e de proteção ambiental.
As recomendações divulgadas aplicam‑se, de forma generalizada, a todas as pessoas que se desloquem a áreas rurais ou florestais para assistir ao eclipse, reforçando a ideia de que a contemplação responsável e a preservação do território andam de mãos dadas.