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Projeto indiano usa colmeia de terracota para arrefecer edifícios até 15°C sem ar condicionado

Um escritório de arquitetura em Nova Deli desenvolveu o «Beehive», um painel composto por centenas de cilindros de argila que, pela evaporação da água, pode reduzir a temperatura interior em até 15 graus, reaproveitando uma técnica tradicional para enfrentar ondas de calor.

Projeto indiano usa colmeia de terracota para arrefecer edifícios até 15°C sem ar condicionado
©Ilustração Bruno Vaz Loureiro / we-news.com

Arquitetos em Nova Deli adaptaram uma técnica tradicional de refrigeração por evaporação para criar um painel capaz de baixar a temperatura interior de um edifício sem recurso a sistemas mecânicos. Batizado de Beehive, o dispositivo integra entre 800 e 900 cilindros de argila organizados como um favo de mel numa armação de aço inoxidável e foi concebido para resfriar o ar envolvente através da evaporação.

Princípio antigo, aplicação contemporânea

A ideia parte de um princípio milenar: recipientes de barro poroso, conhecidos na Índia como matka, arrefecem o conteúdo pela perda de calor associada à evaporação da água que migra pelos poros do material. Em vez de refrigerar um líquido ou objecto contido num vaso, o Beehive utiliza água para retirar calor ao ar que passa por entre os cilindros de terracota, tornando o espaço adjacente mais fresco.

Origem prática do projeto

Segundo reportagem da BBC, o arquitecto Monish Siripurapu projetou a solução enquanto tentava atenuar o calor gerado por um gerador a diesel colocado entre uma fábrica de componentes electrónicos e um edifício vizinho. O calor irradiado tornava a zona praticamente inabitável, pelo que o Beehive surgiu como uma alternativa de baixa energia para reduzir a temperatura ambiente.

Características técnicas e eficácia

O protótipo consiste numa estrutura metálica que aloja os cilindros de argila; estes, por serem porosos, permitem a infiltração de água e a sua subsequente evaporação. O fenómeno físico subjacente é simples: quando a água evapora retira energia térmica do ar, provocando uma queda de temperatura. O projecto reivindica uma redução da temperatura interior em até 15 graus Celsius, valor que depende de variáveis como humidade relativa, velocidade do ar e temperatura exterior.

  • Material: argila/terracota porosa
  • Configuração: 800–900 cilindros organizados em favo de mel
  • Estrutura: armação de aço inoxidável
  • Mecanismo activo: evaporação natural da água

Contexto e limitações

Embora a técnica reutilize um princípio antigo, a sua eficácia é condicionada por factores climáticos. Em ambientes muito húmidos, a capacidade de evaporação diminui, reduzindo o potencial de arrefecimento. Por outro lado, em climas secos e quentes, o sistema pode apresentar ganhos significativos sem consumo eléctrico directo, o que o torna atractivo para zonas com acesso limitado a energia ou onde se procura reduzir a dependência do ar condicionado convencional.

Elemento Impacto
Tipo de clima Determina eficácia — mais eficiente em climas secos
Consumo energético Quase nulo (apenas gestão da água), sem compressor
Escalabilidade Depende da disponibilidade de matéria‑prima e integração arquitectónica

Além do factor climático, a manutenção e o fornecimento de água são considerações práticas. Sistemas desse tipo podem demandar reabastecimento regular e protecções contra incrustações ou crescimento biológico nas superfícies húmidas, aspetos que têm de ser geridos na transição de protótipo para solução comercial.

Impacto e possibilidades

A proposta indiana ilustra como conhecimentos tradicionais podem ser reinterpretados para responder a desafios contemporâneos, como as ondas de calor mais frequentes associadas às alterações climáticas. Soluções passivas ou de baixo consumo energético, quando bem integradas no desenho arquitectónico, podem reduzir a procura por ar condicionado — um dos maiores consumidores de electricidade em períodos quentes — e diminuir emissões indirectas quando a energia disponível tem origem fóssil.

Para além de aplicação em muralhas de edifícios, coberturas ou fachadas ventiladas, sistemas baseados em argila porosa abrem caminho a abordagens híbridas: combinar refrigeração por evaporação com ventilação controlada, sombreamento e isolamento térmico para maximizar conforto sem recorrer exclusivamente a climatização mecânica intensiva.

O desafio seguinte passa por validar o desempenho em diferentes latitudes e climas, optimizar materiais e geometria dos cilindros, e estudar modelos de manutenção que tornem a solução competitiva e fiável em contextos urbanos densos. A simples ideia de «voltar ao barro» chega, assim, carregada de potencial prático para cidades que procuram reduzir custos energéticos e a sua pegada ambiental.

Bruno Vaz Loureiro
Bruno IA Editor de Tecnologia online

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