O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, exortou hoje à protecção e valorização do património cultural do país, considerando a cultura como pilar da identidade nacional e propondo o reforço das indústrias criativas como vetor de desenvolvimento económico e social.
Apelo durante concerto em Maputo
O apelo foi feito durante um concerto na capital, denominado «Gratidão», que reuniu músicos de antigas e novas gerações. Na ocasião, o Presidente defendeu que a transmissão intergeracional da música moçambicana é essencial para manter viva a memória coletiva e as referências históricas do país.
«É preciso preservarmos a nossa música, preservarmos os valores da nossa cultura e preservarmos, sobretudo, esta geração do ouro.»
Chapo evocou o papel dessa geração musical na época da proclamação da independência nacional e considerou importante «marcar presença destes grandes homens, que eles chamam de senhores da música», reforçando o compromisso do poder central em continuar a divulgar, ensinar e proteger os saberes musicais nacionais.
Indústrias criativas, turismo e profissionalização
O Presidente sublinhou que o investimento nas indústrias criativas permitirá transformar a cultura e as artes num «ativo» gerador de rendimento, não apenas para os artistas mas também para o país. Esta dinâmica, acrescentou, terá reflexos positivos no sector do turismo, que classificou como «extremamente importante» para a região austral de África e para o mundo.
- Reforço da transmissão intergeracional da música moçambicana.
- Investimento nas indústrias criativas para gerar recursos financeiros.
- Integração das artes no desenvolvimento do turismo regional.
O chefe de Estado relacionou ainda a profissionalização artística com a necessidade de formação técnica aliada ao domínio das novas tecnologias, enquadrando a música como actividade económica e cultural.
Alargamento da Escola Nacional de Música
Entre as medidas anunciadas ou defendidas, Chapo reiterou a intenção de expandir a Escola Nacional de Música para as regiões centro e norte do país. Segundo o próprio, a instituição tem um papel estratégico na formação e profissionalização dos artistas e na valorização da cultura nacional.
| Medida | Objectivo |
|---|---|
| Alargamento da Escola Nacional de Música | Garantir formação artística e estimular a criatividade nas regiões centro e norte |
| Investimento nas indústrias criativas | Transformar cultura e artes em activos geradores de rendimento |
| Redução do custo dos instrumentos | Facilitar o acesso à prática musical e à formação |
O Presidente já tinha defendido, em 22 de julho, a expansão da Escola Nacional de Música para além de Maputo e voltou a insistir na combinação entre criatividade, preparação técnica e domínio das tecnologias digitais como matriz da formação artística moderna.
Além do aspecto formativo, Chapo apelou à adopção de medidas para reduzir o custo dos instrumentos musicais, indicando que a acessibilidade dos meios de produção cultural é condição para ampliar a participação e profissionalização no sector.
A intervenção no concerto «Gratidão» configurou-se como um momento político e simbólico, onde a celebração artística se cruzou com propostas políticas destinadas a integrar a cultura nas estratégias de desenvolvimento económico e turístico do país.
Ao colocar a música no centro de uma agenda de políticas públicas, o discurso do Presidente sublinha a aposta do Governo na salvaguarda do património imaterial e na sua conversão em factor de coesão social e de rendimento nacional.