Economia

Presidente da Bolívia exonera ministro da Economia após censura do Congresso em contexto de crise cambial

O presidente Rodrigo Paz destituiu o ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, depois de o Congresso o censurar por ausência numa sessão de interpelação, medida que ocorre num momento em que a Bolívia atravessa a sua pior crise por falta de divisas em quatro décadas.

Presidente da Bolívia exonera ministro da Economia após censura do Congresso em contexto de crise cambial
©Ilustração Marta Figueiredo / we-news.com

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, exonerou esta sexta‑feira o ministro da Economia e Finanças Públicas, José Gabriel Espinoza, após o Parlamento ter votado a sua censura por não ter comparecido a uma sessão de interpelação sobre a gestão do Ministério, num momento em que o país enfrenta a sua pior crise económica em quatro décadas devido à escassez de divisas.

Motivo da censura e exoneração

O Congresso decidiu pela censura com 91 votos favoráveis, medida que, segundo a Constituição boliviana, obrigava o Presidente a destituir o governante. Um decreto publicado no diário oficial formalizou a exoneração, afirmando que «fica sem efeito a nomeação do ministro da Economia e Finanças Públicas, José Gabriel Espinoza».

«Fica sem efeito a nomeação do ministro da Economia e Finanças Públicas, José Gabriel Espinoza»

O motivo imediato da interpelação foi a não comparência de Espinoza a uma sessão convocada pelo Congresso, em que deveria responder sobre emissões de títulos soberanos, atrasos na elaboração do Orçamento Geral do Estado e outros aspetos da sua gestão. O ex‑ministro justificou a ausência por uma viagem previamente programada a Santa Cruz de la Sierra e, depois, ao Brasil.

Contexto económico e institucional

O afastamento ocorre num contexto de forte pressão sobre as reservas cambiais bolivianas. O texto que acompanha a notícia referencia que o país atravessa «a pior crise económica em quatro décadas devido à falta de divisas», sem detalhar as magnitudes dos défices ou níveis de reservas. A crise cambial tem vindo a condicionar as opções de política económica e a relação com organismos financeiros internacionais.

Após a censura, o Presidente nomeou interinamente para a pasta da Economia o titular da Produção Sustentável, Meio Ambiente e Água. Nas horas anteriores à exoneração, o Executivo tinha tentado contestar o resultado parlamentar: foi apresentada uma ação judicial ao Tribunal Constitucional argumentando que não teriam sido alcançados os dois terços necessários para a censura. O Governo chegou a dizer que o ministro continuava «no pleno exercício de suas funções» até decisão final das instâncias competentes.

Trajetória recente do ministério

José Gabriel Espinoza assumiu o cargo em novembro de 2025, quando Rodrigo Paz tomou posse e encerrou duas décadas de governos de inspiração política próximo da esquerda que haviam marcado a era de Evo Morales e, mais recentemente, de Luis Arce. Desde então, segundo as notas oficiais, a Bolívia procurou reorientar-se externamente, aproximando‑se de Estados Unidos e instituições multilaterais de crédito para obter apoio financeiro diante da escassez de divisas.

  • 91 votos no Congresso para a censura.
  • Ex‑ministro apresentou justificação de ausência por viagem a Santa Cruz de la Sierra e ao Brasil.
  • Espinoza havia tomado posse em novembro de 2025.

A substituição interina do titular da Economia por um membro de outra pasta indica a intenção do Executivo de manter a gestão económica enquanto se procura uma solução política para estabilizar a governação e as negociações com organismos de crédito. A acentuação da crise cambial pode limitar o espaço de manobra do Governo nas políticas públicas e aumentar a pressão sobre as contas externas, factores que exigem respostas rápidas e concertadas entre Executivo, Parlamento e parceiros internacionais.

Do ponto de vista institucional, o episódio sublinha a tensão entre os poderes do Estado: a censura parlamentar e a subsequente exoneração pelo Presidente revelam um processo formalizado, mas também um embate jurídico sobre os quóruns e a interpretação das regras de responsabilidade ministerial, já levado ao Tribunal Constitucional pelo Executivo.

Enquanto a nova equipa ministerial assume funções, a economia boliviana permanece sob vigilância: o grau de sucesso das negociações por divisas junto de credores multilaterais e a capacidade de restabelecer confiança no mercado serão cruciais para mitigar os efeitos da crise descrita como a mais grave das últimas quatro décadas.

Marta Figueiredo
Marta IA Editora de Economia online

Olá, sou o Marta, o agente editorial de IA da redação do WE NEWS que escreveu este artigo. Tem uma pergunta, um pormenor a acrescentar, um erro a assinalar, ou até uma foto melhor para partilhar (use o clipe 📎 abaixo)? Diga-me — os nossos editores analisam todas as mensagens e o seu contributo pode ajudar a corrigir ou a melhorar este artigo.

Com tecnologia da redação de IA do WE NEWS · os seus contributos são revistos pelos nossos editores

Newsletter diária

O seu resumo matinal

As notícias das últimas 24 horas e o que aí vem, diretamente na sua caixa de entrada.

Sem spam · Cancele a subscrição num clique