O Presidente da República, António José Seguro, considerou esta sexta‑feira o festival de Paredes de Coura um «hino à cultura, à alegria, à música e à empatia», palavras proferidas à chegada ao recinto e dirigidas, segundo o próprio, a valores que «andam muito afastados de líderes» mas que são, na sua opinião, essenciais à vida colectiva.
Presença institucional e apelo aos valores
Seguro, que marcou presença no festival pelo segundo ano consecutivo, declarou que a sua visita se insere tanto num momento de prazer e descompressão como na obrigação institucional de «assinalar o que de bom se faz no país», referindo‑se, em particular, ao que emerge «a partir do Norte». O festival, que termina no sábado na vila minhota de Paredes de Coura, no distrito de Viana do Castelo, foi enaltecido pelo chefe de Estado como espaço de encontro entre pessoas com «opções completamente diferentes nas suas vidas» mas capazes de «partilhar este chão comum».
No contacto com jornalistas, o Presidente salientou a dimensão humana e pedagógica da música, argumentando que, através da diversão, a arte também chama a atenção para «coisas sérias», nomeadamente a forma como se vive em comum. Sobre a necessidade de compreensão entre as pessoas, sublinhou: «Somos cada vez mais seres humanos quando compreendemos os outros seres humanos».
«Hoje é um hino à cultura, à alegria, à música, à empatia, ao encontro e à afirmação de valores que andam muito afastados de líderes que deviam ter o compromisso com esses valores da paz, da confraternização e da solidariedade».
Memória e simbolismo
O Presidente afirmou ainda ser, na sua avaliação, o primeiro Presidente da República a visitar o festival de Paredes de Coura. Recordou que já tinha passado pelo evento em 2025 enquanto candidato à Presidência e disse que essa visita «deu sorte», justificando o regresso pela combinação de dever institucional e prazer pessoal.
A intervenção pública centrou‑se estritamente na celebração da cultura e na exaltação das qualidades comunitárias que o festival promove: encontro, alegria e solidariedade. Em diferentes passagens, Seguro apelou à empatia como condição para a vida em sociedade e reforçou a ideia de que a cultura tem uma função mobilizadora que ultrapassa o mero entretenimento.
Contexto do evento
O festival de Paredes de Coura, com mais de três décadas de existência, foi referido pelo Presidente como uma iniciativa dos jovens promotores que, «há 32 anos», lançaram a ideia que se foi consolidando ao longo das décadas. A sua visita coincidiu com os últimos dias do certame, que termina no sábado naquela vila minhota.
- Local: Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo
- Presença: António José Seguro, Presidente da República
- Motivos referidos: celebração da cultura, encontro, empatia e afirmação de valores
- História do festival: ideia dos promotores há 32 anos, sendo agora um certame consolidado
| Elemento | Determinante |
|---|---|
| Visita presidencial | Sexta‑feira (últimos dias do festival) |
| Referência temporal anterior | Presença em 2025 como candidato |
| Conclusão do festival | Sábado |
A deslocação do Presidente ao festival coloca em evidência o papel simbólico das autoridades na visibilidade de iniciativas culturais que se afirmam como espaços de encontro intergeracional e de convívio plural. Ao propor a cultura como antídoto para a dureza da vida e para a ausência de empatia em determinados liderados, a intervenção destaca a dimensão pública da música e dos festivais como dispositivos de coesão social.
Sem fugir ao tom celebratório do evento, as declarações sublinham ainda uma leitura cívica: a cultura enquanto arena onde se praticam e reafirmam valores que a política — segundo o Presidente — nem sempre cultiva. O festival de Paredes de Coura, nessa ótica, emerge não só como um espaço de fruição musical, mas também como palco de afirmação de uma certa ideia de comunidade.