O Presidente da República voltou a sublinhar, na Guarda, a necessidade de transformar em actos concretos as promessas de recuperação do Parque Natural da Serra da Estrela, quatro anos depois do grande incêndio que devastou parte do território. Durante a sessão solene das comemorações dos 150 anos dos Bombeiros da Guarda, António José Seguro considerou que a revitalização da serra «é uma promessa que se arrasta há demasiado tempo» e alertou para a ausência de investimentos efetivos.
Investimento anunciado por executar
Seguro destacou que, desde o incêndio de agosto de 2022, «quase nada foi investido» dos 155 milhões de euros anunciados para a recuperação. Para o Presidente, assinalando ainda o «meio século» do Parque Natural, a retórica de responsabilizações mútuas não é suficiente: «o que se exige são passos concretos para revitalizar e proteger» este património natural.
«Quatro anos depois, essa promessa continua por cumprir e quase nada foi investido dos 155 milhões de euros anunciados.»
O apelo incide sobre a urgência de evitar que medidas planeadas «fiquem na gaveta», expressão utilizada por António José Seguro para sublinhar o risco de inércia institucional face a um território considerado um dos principais ativos do interior do país.
Prevenção e resposta aos incêndios
Na sua intervenção, o Presidente da República pediu igualmente uma melhoria da prevenção e da capacidade de resposta no combate aos incêndios. Referiu que o relatório da Comissão Técnica Independente, recentemente divulgado, reforça as mesmas preocupações apontadas por relatórios anteriores e evidencia que «muito ficou por fazer», com consequências na operacionalidade das respostas a grandes fogos.
Segurança e capacidade operativa foram ainda lembradas através do exemplo de dedicação daqueles que combatem as chamas. António José Seguro evocou o caso de Carlos Dâmaso, presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca do Deão, falecido a 15 de agosto de 2025 enquanto defendia a sua aldeia de um incêndio, para frisar o sacrifício de quem arrisca a vida em defesa das comunidades.
O que está em causa
A intervenção presidencial coloca em evidência três dimensões sobre as quais se devem concentrar as atenções das autoridades e dos responsáveis políticos:
- A execução orçamental e a aplicação operacional dos 155 milhões de euros anunciados para a recuperação pós-incêndio;
- O reforço das medidas de prevenção e da capacidade de resposta a incêndios, conforme assinalado pelo relatório da Comissão Técnica Independente;
- A necessidade de tradução das promessas em ações concretas que protejam o património e as comunidades do interior.
| Referência | Valor/Tempo |
|---|---|
| Fundos anunciados para revitalização | 155 milhões de euros |
| Tempo decorrido desde o incêndio | Quatro anos |
A crítica presidencial surge num momento simbólico — as cerimónias que assinalaram os 150 anos dos Bombeiros da Guarda —, onde a discussão sobre meios, coordenação e prevenção voltou a ocupar um lugar central das prioridades para o interior.
Ao sublinhar que a Serra da Estrela «merece mais do que promessas», o Presidente da República procurou conjugar a homenagem aos operacionais com um apelo à responsabilização dos decisores públicos, reclamando que os relatórios técnicos não fiquem apenas no papel, mas se traduzam em medidas concretas que restabeleçam e protejam o território.
Fonte: discurso proferido na Guarda durante as comemorações dos Bombeiros.