Os preços da habitação em Portugal tiveram, no primeiro trimestre de 2026, um aumento real de 15,2% face ao mesmo período do ano anterior, a maior subida entre as cerca de 60 economias monitorizadas pelo Banco de Pagamentos Internacionais (BIS). Este desempenho contrasta com a tendência global, onde os preços reais das casas caíram 1,2% no mesmo intervalo.
Portugal a destacar-se num cenário global de abrandamento
A forte valorização portuguesa surge num contexto em que vários mercados já exibem sinais de arrefecimento depois do forte crescimento verificado no período pós-pandemia. Segundo os dados compilados pelo BIS e analisados pela imprensa económica, Portugal recuperou o primeiro lugar do pódio das maiores subidas, posição que tinha perdido para a Macedónia do Norte no final de 2025 — dois países que têm alternado nas primeiras posições nos últimos trimestres.
Apesar do destaque, os analistas salientam que a aceleração em Portugal é menos pronunciada do que em períodos anteriores, enquanto outras economias europeias começam a mostrar uma moderação mais evidente.
Panorama internacional e diferenças entre economias
Os números globais revelam uma desaceleração: a queda real de 1,2% no primeiro trimestre representa um agravamento face à redução homóloga de 0,5% registada no trimestre precedente, interrompendo um período de quase estabilização na segunda metade de 2025. Em termos nominais — sem corrigir pela inflação — o mercado imobiliário mundial ainda apresentou um crescimento de 1,7%.
Entre as economias avançadas, a variação média foi praticamente nula, com uma ligeira diminuição de 0,2%, a primeira descida desde o terceiro trimestre de 2024. Alguns países chave registaram recuos substanciais:
- Canadá: -6,8%
- Estados Unidos: -2,0%
- Reino Unido: -2,0%
Na Zona Euro, pelo contrário, os preços reais aumentaram em média 2,6%, impulsionados sobretudo por Espanha e Itália — com subidas de 9,8% e 3,8%, respetivamente — embora França e Alemanha tenham registado ligeiras contracções.
| Região/País | Variação real (T1 2026 vs T1 2025) |
|---|---|
| Portugal | +15,2% |
| Mundo (média) | -1,2% |
| Zona Euro (média) | +2,6% |
| Espanha | +9,8% |
| Itália | +3,8% |
| Canadá | -6,8% |
| EUA | -2,0% |
| Reino Unido | -2,0% |
Implicações e perspetivas
A discrepância entre Portugal e a tendência global levanta várias questões para políticas públicas e mercado imobiliário doméstico. Uma subida sustentada nos preços pode agravar problemas de acessibilidade à habitação para segmentos da população com rendimentos médios e baixos, aumentar o custo de arrendamento e pressionar autoridades locais e centrais a avaliar medidas de política fiscal, planeamento urbano e oferta habitacional.
Por outro lado, investidores e proprietários podem ver nestes dados sinais de recuperação e de valorização persistente em determinadas áreas, enquanto bancos e instituições financeiras terão de continuar a avaliar riscos de crédito ligados ao setor imobiliário num ambiente marcado por diferenças regionais acentuadas.
Os dados do BIS fornecem um retrato comparado, mas não explicam por si mesmos as causas concretas das dinâmicas nacionais, que podem envolver fatores como oferta de habitação, fluxos de investimento estrangeiro, políticas fiscais e de crédito, demografia e mobilidade interna. Observadores económicos sublinham a necessidade de cruzar estes indicadores com estatísticas nacionais mais detalhadas para compreender melhor a sustentabilidade da valorização em Portugal.
À medida que decorre 2026, o acompanhamento trimestral do BIS e de outras fontes estatísticas continuará a ser observado por decisores e operadores do mercado imobiliário para avaliar se a trajectória portuguesa se mantém isolada ou se integra numa tendência europeia de recuperação mais ampla.