A Assistência Médica Internacional (AMI) alertou para a existência de uma comunidade portuguesa e luso‑venezuelana em La Guaira que necessita de apoio económico e de suporte de saúde mental decorrente do duplo sismo que abalou a Venezuela em junho.
Intervenção e diagnóstico inicial
O coordenador de projetos e representante da AMI na Venezuela relatou, durante uma iniciativa promovida pela Embaixada de Portugal em Caracas em Naiguatá (La Guaira), que a organização chegou ao país a 9 de julho para realizar um levantamento das necessidades da população afetada. Em menos de uma semana foi delineado e arrancado um projecto de intervenção focado na área da saúde mental e no apoio psicossocial.
«Há uma comunidade portuguesa, e luso‑venezuelana, com muitas necessidades económicas e de apoio financeiro, mas também de suporte de saúde mental»
O responsável da AMI destacou ainda a receptividade dessa população a intervenções psicológicas, sublinhando que a organização tem conseguido ganhar a confiança dos cidadãos para que estes se abram ao acompanhamento clínico e psicossocial.
Traumas acumulados e fragilidade social
Nas explicações prestadas, a AMI refere que o terramoto de junho veio «acrescentar» a um historial de traumas que muitos residentes já acumulavam. Alguns dos intervenientes recordaram perdas anteriores, nomeadamente ligadas às cheias de 1999, o que contribui para um quadro de fragilidade emocional persistente.
O coordenador afirmou ter ouvido relatos de luso‑venezuelanos que se sentem numa dualidade de identidade, por vezes sem apoio suficiente por nenhuma das partes: sentem‑se venezuelanos, mas não totalmente, e também não totalmente portugueses. Essa condição de pertença ambígua agrava a sensação de desamparo e dificulta o acesso a redes de apoio formais.
Assitência humanitária em curso
Organizações internacionais continuam a apontar necessidades significativas na região mais afetada, e o trabalho de equipas de ajuda inclui tanto apoio social e cultural, promovido por entidades diplomáticas, como intervenções médicas e psicossociais por ONG. A AMI destaca a combinação de apoio económico e de saúde mental como essencial para responder às consequências do sismo.
- Chegada da AMI à Venezuela: 9 de julho
- Área mais afetada referida: La Guaira (Naiguatá)
- Áreas de intervenção: saúde mental, suporte psicossocial e apoio económico
| Item | Dados / Observação |
|---|---|
| Data de chegada da AMI | 9 de julho |
| Resposta inicial | Projeto de intervenção em saúde mental iniciado em menos de uma semana |
| Comunidade alvo | Portugueses e luso‑venezuelanos em La Guaira |
O relato da AMI insere‑se num contexto mais amplo de resposta humanitária em curso, onde outras organizações médicas e humanitárias continuam a assinalar necessidades. Em paralelo, iniciativas promovidas pela Embaixada de Portugal procuraram organizar apoio social, cultural e educativo às pessoas afetadas.
As equipas de intervenção sublinham a importância de combinar medidas imediatas de assistência económica com cuidados contínuos de saúde mental, dado o caráter prolongado dos impactos psicológicos após catástrofes naturais, sobretudo quando se somam a traumas anteriores.
O trabalho em terreno, segundo a AMI, tem também uma componente de confiança e proximidade: ao aproximarem‑se da comunidade e ao demonstrarem disponibilidade para escuta e intervenção, as equipas tornaram possível que mais pessoas aceitassem apoio psicológico e acompanhamento.
A situação descrita evidencia desafios práticos e sociais residuais que exigem coordenação entre autoridades diplomáticas, ONGs e serviços locais de saúde, bem como um plano sustentado de apoio que considere tanto a dimensão económica como a psicológica das populações afetadas.