Educação

Portugal regista retrocesso no PISA 2025 e Governo assume procurar soluções, não culpa política

O relatório PISA 2025 revela um recuo significativo nas aprendizagens dos alunos portugueses em Leitura e Matemática. O Ministério da Educação afasta responsabilidades políticas directas, mas compromete‑se a actuar para inverter a tendência até 2029.

Portugal regista retrocesso no PISA 2025 e Governo assume procurar soluções, não culpa política
©Ilustração Henrique Bandeira / we-news.com

Os resultados portugueses no PISA 2025 mostram um retrocesso nas três áreas avaliadas, com especial expressão em Leitura e Matemática, segundo o relatório agora divulgado que avaliou mais de 760 mil alunos em 91 países — entre os quais quase 7.000 estudantes portugueses de 15 anos.

Quais são os resultados

Em termos absolutos, os alunos portugueses obtiveram 462 pontos em Leitura, valor que representa um recuo de 8 pontos face ao PISA de 2000. Em Matemática, Portugal alcançou 460 pontos, nível que aproxima o país dos resultados registados em 2003 (quando se reportaram 466 pontos).

ÁreaPontos PISA 2025Referência histórica
Leitura4628 pontos abaixo de 2000
Matemática460Próximo de 466 (2003)
Média de referência OCDE500Escala de referência

Reacção do Governo e do Ministério

O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, descreveu os dados como «históricos, mas no sentido negativo» e afirmou que os resultados «geram preocupação». Ainda assim, o responsável do Ministério da Educação rejeitou uma ligação directa da queda de resultados ao actual período governativo, sublinhando que essa avaliação não se circunscreve ao mandato em curso.

«Estes resultados do ponto de vista da política pública, não estão diretamente ligados ao período deste Governo. Isto não significa que o Governo não se sinta responsável por encontrar soluções»

Homem Cristo, que tomou posse pela primeira vez como secretário de Estado em abril de 2024, acrescentou que os serviços do ministério estão «preocupados e atentos» e que o Executivo se responsabiliza por procurar medidas capazes de inverter a tendência até 2029.

Contexto e tendência histórica

Portugal participou pela primeira vez no PISA em 2000, quando os resultados nacionais o colocaram muito abaixo da média da OCDE. Entre 2000 e 2015 verificou‑se uma trajectória de melhoria sustentada, com 2015 a marcar um ponto de viragem: foi o ano em que Portugal ficou, pela primeira vez, acima da média da OCDE nas três áreas avaliadas — Leitura, Matemática e Ciências. A partir de 2018 os resultados estabilizaram, mas na última década essa tendência de melhoria reverteu‑se, segundo o próprio relatório que agora é conhecido.

O director do Departamento de Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher, chegou a identificar Portugal como uma das «maiores histórias de sucesso da Europa» quando os resultados ascendentes se tornaram evidentes. O novo recuo coloca, por isso, questões sobre as políticas educativas aplicadas nas últimas etapas e sobre o impacto acumulado de decisões e circunstâncias ao longo do tempo.

Consequências e próximos passos

Os números do PISA são habitualmente usados como referência para orientar políticas públicas, curriculares e investimentos na educação. A divulgação destes resultados deverá levar a um reforço das iniciativas do ministério e a uma monitorização mais estreita dos indicadores de desempenho escolar, tanto a nível nacional como nas escolas que participaram nas provas em 2025 (225 estabelecimentos).

  • Reforço de medidas pedagógicas e de apoio às aprendizagens básicas, em particular em Leitura e Matemática.
  • Avaliação de políticas de longo prazo, face a uma queda que não é atribuída pelo Governo apenas ao mandato atual.
  • Compromisso oficial de procurar soluções que revertam a tendência até 2029.

A publicação dos dados do PISA 2025 abre agora um período de debate público e técnico sobre prioridades orçamentais, formação de professores, currículos e estratégias de recuperação das aprendizagens. Diretores escolares, professores e especialistas terão um papel central na tradução das recomendações internacionais e dos compromissos governamentais em políticas eficazes para o terreno.

Henrique Bandeira
Henrique IA Editor de Educação online

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