Portimão vai ser o palco da segunda edição do World Sailing Inclusion Championships, que decorre entre 1 e 10 de outubro. O campeonato, promovido pela World Sailing em parceria com a associação portuguesa Vela Solidária, reúne um contingente significativo de participantes: 236 velejadores representando cerca de 40 nações.
Um formato que junta capacidades diversas
O novo modelo do World Sailing tem como finalidade promover a vela adaptada e inclusiva a nível mundial, privilegiando a competição entre atletas com diferentes perfis: atletas com deficiências físicas, visuais ou intelectuais que passaram pelo processo de classificação oficial da World Sailing (para atletas) e atletas autodeclarados na categoria inclusiva. A iniciativa pretende sublinhar as capacidades dos praticantes em vez das suas limitações e integrar distintas classes e proveniências num mesmo evento.
Dimensão do evento e logística
Para além dos velejadores, o campeonato traz a Portimão cerca de 40 treinadores, oito classes em competição, três campos de regatas e dezenas de acompanhantes e equipas de apoio. A cidade algarvia foi escolhida pela experiência acumulada de organizações anteriores — incluindo o Campeonato da Europa da classe Hansa em 2019 e o Mundial da mesma classe em 2023 — e pela capacidade local de oferecer acessibilidades adequadas para um evento desta natureza.
«Organizar um campeonato do mundo de vela adaptada e vela inclusiva como este é um desafio muito grande, muito maior do que organizar um campeonato do mundo de uma qualquer classe. O maior desafio de todos são as acessibilidades.»
Segundo a organização, a configuração urbana e costeira de Portimão favorece a logística do evento: a marina, a proximidade da praia e a morfologia plana da zona possibilitam espaços mais acessíveis para atletas e equipas técnicas. A hotelaria e a coordenação de serviços locais, no entanto, são referidas como áreas que exigem atenção especial na planificação.
Impacto e ambição internacional
A realização desta segunda edição em Portugal consolida a posição de Vela Solidária como referência internacional na organização de eventos de vela inclusiva e adaptada. A presença de delegações de dezenas de países torna o campeonato um dos maiores de sempre em termos de diversidade de atletas e classes em competição.
- Datas: 1 a 10 de outubro
- Velejadores: 236
- Nações representadas: 40
- Trainers/equipa técnica: 40
- Classes: 8
| Item | Valor |
|---|---|
| Velejadores | 236 |
| Nações | 40 |
| Treinadores | 40 |
Além do enquadramento competitivo, o campeonato funciona como montra para práticas e soluções de acessibilidade em ambiente náutico, incluindo adaptação de infraestruturas portuárias, procedimentos de transporte e acolhimento em unidades hoteleiras. A expectativa perante o evento passa também pela estratégia de promoção do desporto adaptado junto de públicos mais alargados e pelo reforço da cooperação entre federações, ONG e autoridades locais.
Antecedentes e continuidade
A primeira edição do formato inclusivo foi realizada em Omã; Portimão acolhe a segunda edição com números recorde para o evento. A escolha recaiu na experiência acumulada pela Vela Solidária em organizar provas internacionais, o que permitiu consolidar know‑how logístico e operacional que agora será posto à prova num campeonato com maior escala e diversidade.
Do ponto de vista desportivo e social, a iniciativa reforça a posição de Portugal como palco capaz de receber eventos internacionais com exigências acrescidas de acessibilidade e inclusão, ao mesmo tempo que cria oportunidades para dinamizar o turismo e os serviços locais durante a primeira semana de outubro.
O campeonato promete ser, nas palavras dos organizadores, uma celebração das capacidades e um teste operacional para eventos futuros deste tipo, com reflexos na política desportiva e nas práticas de inclusão em espaço público e desportivo.