As piscinas estão a sofrer uma redefinição que as liberta da imagem tradicional de «caixa d’água» e as converte em espaços de convívio multifuncionais. A mudança assenta em novos materiais, formatos orgânicos, entradas em nível de praia e áreas rasas pensadas para permanência, segundo intervenções na Expolazer & Outdoor Living 2026, realizada em São Paulo.
Da imersão à presença: outra relação com a água
O design contemporâneo privilegia a experiência sobre a mera utilização. Em modelos com entrada gradual, a água aproxima-se do nível do piso e a profundidade evolui progressivamente, permitindo que os utilizadores usufruam do espaço sem a necessidade de imersão total. Isso torna a piscina um local para conversar, relaxar e integrar diversas faixas etárias e necessidades.
«A piscina praia muda completamente a relação das pessoas com a água. Você não precisa se jogar dentro dela para estar nela: pode sentar-se na beira, conversar, relaxar e aproveitar o espaço de outra maneira», afirmou Murillo Reis, da Cristal Pool.
Esta configuração amplia o uso por crianças, adultos, animais de companhia e pessoas com mobilidade reduzida, e permite a criação de zonas diferenciadas numa única estrutura — desde áreas de permanência a sectores mais profundos para natação.
Impactos operacionais e de sustentabilidade
Além da experiência, a geometria e a redução do volume de água podem influenciar operações técnicas. Menos água implica, em alguns projectos, menor necessidade de filtragem, bombeamento, aquecimento e tratamento químico, com impacto nos custos de manutenção e no consumo energético.
Mobiliário e integração com o exterior
O movimento de valorização das áreas exteriores acompanha esta revolução das piscinas. Varandas, jardins e outros espaços ao ar livre adoptam soluções que dignificam o conforto e a personalização, aproximando-se de uma lógica habitacional interna.
«Os móveis para áreas externas passaram a incorporar mais conforto, design e opções de personalização», disse Rafaella Moretti, da Galeria das Lonas e Trittone.
Essa tendência contribui para que a área externa deixe de ser um anexo e passe a funcionar como uma extensão natural da casa, pensada tanto para o convívio diário como para receber convidados.
Elementos de projecto a considerar
- Entrada em rampa/nível de praia: facilita o acesso e permite permanência junto à água.
- Áreas rasas: criam zonas de convívio e segurança para crianças.
- Materiais e formas orgânicas: ampliam possibilidades estéticas e funcionais.
- Redução do volume de água: potencial para eficiência operacional.
- Integração com mobiliário exterior: prolonga a vivência do espaço.
Especialistas sublinham que cada piscina deve responder a objectivos concretos do proprietário — se a prioridade é natação, recreio infantil, convívio ou estética —, cabendo ao projecto traduzir essas prioridades em formas e equipamentos adequados.
| Aspecto | Piscina tradicional | Piscina moderna (praia/entrada gradual) |
|---|---|---|
| Relação com a água | Imersão | Presença e permanência |
| Acessibilidade | Limitada | Melhorada (entrada gradual) |
| Uso | Banho/natação | Convívio, relaxamento, recreio |
| Operação | Maior volume de água | Possível redução de consumo |
Do ponto de vista prático, estes projectos exigem coordenação entre arquitectos, projectistas e fornecedores de equipamento, sobretudo quando se pretende conciliar estética, conforto e eficiência técnica.
A transformação das piscinas revela uma mudança cultural: a água deixa de ser apenas um elemento funcional e passa a integrar o imaginário do lar como um ponto de encontro e bem-estar. Para quem planeia um projecto novo ou uma renovação, a chave é definir usos concretos e procurar soluções que promovam acessibilidade, segurança e uma experiência confortável para todos.