A Polícia Federal investiga suspeitas sobre a relação entre a empresária Roberta Luchsinger, o empresário Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e o ex‑chefe de gabinete do Presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), no âmbito de inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e apuram eventual tráfico de influência em organismos do Governo federal.
Elementos centrais da investigação
Segundo os autos e apurou a imprensa, a investigação da Polícia Federal aponta que Roberta Luchsinger, dona da empresa RL Consultoria e Intermediações — criada em 2019 e sediada no apartamento onde reside, no bairro de Higienópolis, em São Paulo — manteve contratos com empresários privados e foi identificada como possível lobista em diligências da investigação.
- Um contrato celebrado entre a RL Consultoria e o empresário Antônio Carlos Antunes, conhecido como «Careca do INSS», é objecto de especial atenção dos investigadores.
- De acordo com a investigação, a empresária recebeu um total de R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil, por trabalhos que consistiam em viabilizar a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde por meio da empresa World Cannabis, do próprio Antunes.
- O negócio destinado a disponibilizar o produto no Sistema Único de Saúde (SUS) não prosperou.
A Polícia Federal deteve o empresário Antônio Carlos Antunes no âmbito de investigações que o apontam como suspeito de desvio de recursos de aposentadorias e pensões do INSS, segundo consta nas peças investigatórias divulgadas.
Troca de mensagens e minuta de contrato
Investigadores encontraram no aparelho de mensagens eletrónicas um contacto entre Roberta e Marcola, no qual a empresária enviou uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com indicação de dispensa de licitação. Fontes citadas pela imprensa indicam que Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o documento, mas afirmou não o ter remetido a terceiros.
«O processo está sob sigilo e não vai se manifestar», afirmou a defesa da empresária, segundo relatos constantes das peças do processo.
As mensagens e o envio da minuta integram pelo menos uma das linhas de investigação que envolvem Roberta e Fábio Luís Lula da Silva, e que correm no Supremo.
Investigado em três inquéritos
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido publicamente como Lulinha, figura como investigado em três inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência junto a órgãos do Governo federal. Os elementos específicos de cada inquérito não foram detalhados nas informações públicas consultadas pela reportagem.
As autoridades judiciais e policiais mantêm o caráter reservado de várias diligências e factos em investigação. Fontes oficiosas contactadas pela imprensa referem que os processos correm sob segredo de justiça no Supremo Tribunal Federal, o que limita a divulgação de documentos e depoimentos até decisão judicial em sentido contrário.
Consequências institucionais e próximas etapas
Os procedimentos no STF podem originar diferentes desdobramentos: desde o arquivamento das peças até a eventual abertura de processos criminais, com medidas cautelares ou pedidos de acareação, caso os investigadores e o Ministério Público entendam existir prova suficiente de crime. A tramitação no Supremo impõe prazos e formas específicos para a prática de actos processuais, e eventuais decisões serão comunicadas por via oficial quando permitido pelo tribunal.
| Elemento | Situação conhecida |
|---|---|
| Empresa | RL Consultoria e Intermediações (Criada em 2019, sede em Higienópolis) |
| Valor recebido | R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil |
| Contrato visado | Venda de canabidiol para o Ministério da Saúde (World Cannabis) |
| Investigados | Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva; Marcola (envolvimento como destinatário de minuta) |
As partes envolvidas mantienen, segundo registo público, posições restritas: a defesa de Roberta recusou prestar declarações devido ao segredo do processo; Marcola confirmou apenas o recebimento da minuta, alegando não a ter encaminhado. Não foi encontrada, nas peças públicas consultadas, manifestação pública das demais defesas sobre as acusações.
O desenvolvimento das investigações dependerá das diligências complementares da Polícia Federal, das eventualidades de pronunciamento do Ministério Público e de decisões futuras do Supremo Tribunal Federal, que detém competência para processar e julgar autoridades com foro por prerrogativa de função e, por via da conexão, outros inquéritos que nele tramitem.