A resseguradora suíça Swiss Re divulgou que as perdas económicas provocadas por catástrofes naturais no primeiro semestre de 2026 totalizaram cerca de US$ 100 mil milhões. Do lado das seguradoras, os custos atribuíveis a esses eventos chegaram a US$ 42 mil milhões, o nível mais baixo desde o primeiro semestre de 2020, segundo a estimativa publicada na terça‑feira.
Queda face a 2025 e à média de uma década
O valor global de perdas reportado para o período corresponde a uma redução de mais de um terço relativamente ao mesmo período de 2025 e situa‑se cerca de 10% abaixo da média dos últimos dez anos. No que respeita aos encargos para o sector segurador, os US$ 42 mil milhões representam uma queda de 16% face à média daquela década e uma descida expressiva face aos US$ 91 mil milhões registados no primeiro semestre de 2025, quando os incêndios em Los Angeles contribuiram para custos muito elevados.
Principais eventos e cobertura seguradora
A Swiss Re identificou o terremoto na Venezuela como o desastre natural com maior impacto económico no semestre, com prejuízos estimados em US$ 20 mil milhões. Contudo, o grupo alerta que «apenas uma pequena parte dos danos» estará coberta por seguros, devido à reduzida penetração do seguro no país. A resseguradora ainda não possui uma estimativa final do montante que será efectivamente assumido pelas seguradoras.
«Um primeiro semestre menos oneroso não significa que o risco tenha desaparecido», declarou Balz Grollimund, director de cobertura de desastres naturais da Swiss Re.
O alerta sobre a continuidade do risco foi reforçado pela própria Swiss Re, que sublinha a vulnerabilidade do segundo semestre a fenómenos como furacões e grandes incêndios florestais — episódios que, historicamente, tendem a concentrar uma fatia relevante dos custos anuais do sector.
- Perdas económicas (1.º semestre 2026): US$ 100 mil milhões
- Custos para seguradoras: US$ 42 mil milhões — nível mais baixo desde 1.º semestre de 2020
- Evento mais custoso: Terremoto na Venezuela — US$ 20 mil milhões (com baixa cobertura seguradora)
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Perdas económicas (1S 2026) | US$ 100 mil milhões |
| Custos para seguradoras (1S 2026) | US$ 42 mil milhões |
| Custos para seguradoras (1S 2025) | US$ 91 mil milhões |
| Perdas atribuídas ao sismo na Venezuela | US$ 20 mil milhões |
Riscos e implicações para o mercado de seguros
A diminuição dos custos segurados no primeiro semestre pode aliviar temporariamente as pressões sobre resultados das seguradoras e resseguradoras. No entanto, a Swiss Re recorda que os segundos semestres são, historicamente, mais onerosos: em média, uma maior parcela da fatura anual tende a concentrar‑se na segunda metade do ano, devido à época de furacões no Atlântico e a possíveis vagas de calor e secas que alimentam incêndios.
Para além do impacto imediato nos resultados, episódios como o sismo na Venezuela evidenciam a limitação da cobertura seguradora em países com baixa penetração de seguros, o que aumenta a componente de perdas económicas não seguradas e transfere o ónus da reconstrução para governos, comunidades e financiamento público ou internacional.
O posicionamento cauteloso da Swiss Re para o restante de 2026 sublinha a necessidade de as seguradoras manterem reservas adequadas, estratégias de resseguro e gestão de risco climático mais robusta. À medida que as condições climáticas — mais quentes e secas em muitas regiões — intensificam a probabilidade de grandes incêndios, a indústria enfrenta o desafio de calibrar preços e capacidade sem comprometer a acessibilidade do seguro.
Em suma, o primeiro semestre mais calmo não elimina a exposição do sector a surtos de sinistralidade no segundo semestre. Os dados da Swiss Re constituem um indicador relevante para operadores financeiros, reguladores e decisores políticos que acompanham a evolução dos riscos naturais e a resiliência económica.