O futuro Parque Logístico de Grândola obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada e as obras de infraestruturas, cujo investimento direto inicial é estimado em 40 milhões de euros, deverão começar em 2027, anunciou o promotor.
Condicionantes ambientais e calendário
Segundo o diretor-geral do projecto, do Grândola Logistics Park Euro-Atlantic (GLPEA), liderado pela Qantara Capital, a DIA foi emitida no início do mês e permite que o empreendimento avance para as fases subsequentes de licenciamento. O plano de execução das infraestruturas foi estimado em, no máximo, dois anos após o início das obras.
O promotor referiu que existem duas condicionantes principais definidas na DIA, além de «pequenas medidas de mitigação», que já estavam contempladas na conceção do projecto:
- proibição de novas captações de água para abastecimento do parque;
- obrigatoriedade de descarregar as águas pluviais e residuais apenas nos locais definidos no projecto.
«A nossa expectativa é obter em 2027 as licenças e iniciar imediatamente as obras de infraestruturas», disse o responsável do GLPEA.
Investimento e fases do projecto
Para além do montante directo nas infraestruturas, o promotor já aplicou verbas na aquisição dos terrenos e no desenvolvimento do projecto, embora esses montantes não tenham sido revelados. O investimento global do empreendimento está actualmente orçado em 468 milhões de euros, valor que, segundo a direcção do projecto, poderá aumentar dependendo do perfil das empresas que venham a instalar-se no parque.
| Item | Valor |
|---|---|
| Infraestruturas (investimento inicial estimado) | 40 milhões de euros |
| Investimento global estimado | 468 milhões de euros |
Atrasos e condicionantes administrativas
O início da construção já tinha sido previsto anteriormente para 2023, mas o arranque foi adiando-se. O promotor atribui os atrasos à «complexidade» do projecto, à necessidade de articulação com múltiplas entidades e à suspensão do Plano Director Municipal de Grândola. O Plano de Pormenor encontra‑se «numa fase muito avançada», faltando apenas fechar as áreas de cedência ao município.
Classificado como projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN), o empreendimento é apresentado pelo promotor como uma oportunidade para diversificar a economia local e criar possibilidades de emprego, embora ainda não tenham sido divulgados números concretos sobre a criação líquida de postos de trabalho.
Impactos hídricos e obrigações de gestão
Da análise da DIA salientam-se as restrições sobre os recursos hídricos: a proibição de novas captações implica que o abastecimento do parque terá de ser assegurado por soluções alternativas já previstas no projecto ou por ligação a redes existentes. A obrigação de encaminhar águas pluviais e residuais apenas para os pontos definidos visa reduzir riscos de contaminação e impactos em corpos hídricos locais e em infraestruturas de drenagem.
Estas condições terão de ser integradas nas soluções técnicas e nos projectos de execução que serão sujeitos às licenças subsequentes, fomentando o acompanhamento por parte das entidades ambientais e do município durante a fase de implementação.
O desfecho das próximas etapas de licenciamento e a definição das áreas a ceder à câmara municipal serão determinantes para o calendário final. Caso as licenças sejam emitidas conforme a expectativa do promotor, as obras de infraestruturas poderão arrancar ainda em 2027 e estender‑se por até dois anos, dando início a um projecto que o promotor classifica como estruturante para a região.