O papa Leão XIV apelou hoje à comunidade internacional e às sociedades para reconhecerem e protegerem o sofrimento das crianças migrantes, que, disse, são frequentemente as mais vulneráveis em fluxos migratórios. A intervenção consta da mensagem publicada pela Santa Sé por ocasião do 112.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, cujo mote recorda o versículo evangélico «Mesmo uma só destas crianças» (Mateus 18,5).
Vulnerabilidades e perigos ao longo das rotas
Na mensagem, o pontífice descreve os múltiplos riscos que atingem os menores forçados a deslocarem-se dos seus países de origem: desde o tráfico de pessoas e a perda dos progenitores, até à violência sexual, recrutamento para conflitos e mortes nas travessias. Segundo o papa, a ausência de adultos protetores torna estes menores «mais facilmente reduzidos à invisibilidade».
«Infelizmente, os menores migrantes são mais facilmente reduzidos à invisibilidade por não terem adultos que os protejam e apoiem»
A mensagem sublinha ainda que, além das tragédias individuais, existem consequências sociais duradouras nas vidas destas crianças, com feridas que muitas vezes não são visíveis mas que exigem cuidados contínuos por parte de profissionais e voluntários.
Quem intervém e que responsabilidades?
Leão XIV destacou o papel de famílias acolhedoras, organizações da sociedade civil, comunidades religiosas e profissionais que trabalham «ao longo das rotas e nas nossas cidades» no apoio às crianças migrantes. O papa pediu também às instituições civis que reforcem a sua responsabilidade, lembrando o princípio do interesse superior do menor como guia de ação pública e privada.
- Famílias que abrem as suas casas para acolher menores;
- Educadores e instituições de acolhimento que trabalham na recuperação e integração;
- Voluntários e profissionais envolvidos nas rotas migratórias e nas cidades;
- Instituições públicas e privadas chamadas a dar prioridade à proteção e dignidade de cada criança.
O apelo do papa é dirigido tanto à ação imediata de ajuda como ao desenvolvimento de políticas que assegurem mecanismos de proteção eficazes, segundo a mensagem divulgada pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, organismo responsável pela iniciativa do Dia Mundial.
A multiplicidade de riscos descrita
Na sua análise, o pontífice lista um conjunto de perigos que frequentemente acompanham a migração infantil. Estes aspectos podem sintetizar-se na tabela que se segue:
| Ameaça | Exemplos citados |
|---|---|
| Tráfico e exploração | Recrutamento, exploração laboral, redes de tráfico |
| Violência | Violência sexual, exposições a atrocidades durante a viagem |
| Perdas familiares | Separação dos pais, orfandade |
| Risco de morte | Mortes ao longo das rotas migratórias |
Ao documentar estes pontos, a mensagem não se limita a enumerar dramas; insiste na necessidade de responder com medidas concretas e coordenadas, que ponham a dignidade e a proteção das crianças no centro das políticas nacionais e internacionais.
O apelo surge num contexto global marcado por fluxos migratórios intensos e por desafios crescentes na proteção de menores deslocados. A Santa Sé, através deste Dia Mundial, pretende manter a atenção sobre estas questões e estimular respostas que envolvam tanto instâncias governamentais como a participação ativa das comunidades locais.
Ao sublinhar que «mesmo um só destes pequeninos» exige a reafirmação do princípio do interesse superior do menor, o papa reforça a ideia de que cada caso merece atenção individualizada e proteção efetiva por parte das instituições públicas e privadas.
Para além do apelo moral, a mensagem funciona como um chamado à responsabilização: sociedades, famílias, organizações e Estados são lembrados da obrigação de proteger e restituir a dignidade a crianças cujo direito a um ambiente seguro e a cuidados está frequentemente comprometido pela violência e pela instabilidade das deslocações forçadas.