Na manhã de quarta‑feira, a Oxfam Brasil promoveu um encontro que juntou representantes do Governo Federal, instituições públicas de investigação, membros da academia e organizações da sociedade civil para apresentar e debater o International Panel on Inequality (IPI). O objetivo central da sessão foi ampliar apoios e analisar formas de participação do Brasil, incluindo a proposta de que o país possa integrar a iniciativa como caso piloto.
Apresentação e proposta de trabalho
A abertura do encontro esteve a cargo de Juliana de Moura Gomes, Assessora de Participação Social e Diversidade do Ministério das Relações Exteriores. Seguiu‑se a apresentação de Julianne Nestlehner, Gerente de Programas da Oxfam Brasil, e de Adriana Erthal Abdenur, integrante do Comitê Fundador do IPI, que expuseram a conceção do painel, os seus objetivos, o estado atual da construção da iniciativa e os passos previstos.
A discussão centrou‑se na necessidade de articular diferentes saberes — produção de dados académicos, experiência institucional e mobilização da sociedade civil — para produzir respostas baseadas em evidência às desigualdades, tema colocado como de alcance global.
Participação de instituições brasileiras
Ao debate compareceram, entre outros, representantes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cuja presidenta, Luciana Mendes Santos Servo, participou nas intervenções relativas à produção de conhecimento e ao papel das instituições nacionais na construção do painel. Também marcaram presença representantes vindos de redes e organizações de referência, tais como:
- Sara Branco, Coordenadora de Incidência Internacional do Instituto de Referência Negra Peregum;
- representantes da Plataforma CIPÓ;
- Tatiana Berringer de Assumpção, Assessora Especial da Presidência da República, ligada à articulação com a sociedade civil durante o G20 Brasil 2024;
- Renata Braga, Program Manager das Open Society (presença referida na agenda do encontro).
O encontro foi descrito pela organização como um espaço para aproximar diferentes setores, com vista a garantir que o Brasil possa levar «experiências, dados e perspectivas» que contribuam para o enfrentamento das desigualdades a uma escala internacional.
«As desigualdades não são um desafio exclusivo do Brasil; trata‑se de um problema global, que demanda respostas articuladas, baseadas em evidências e construídas a partir do diálogo entre governos, academia e sociedade civil», afirmou Carolina Gonçalves, Coordenadora de Justiça Social e Econômica da Oxfam Brasil.
Relação entre evidência e políticas públicas
Durante a sessão debatida foram salientados pontos relacionados com a produção de conhecimento e a formulação de políticas públicas. A presença de instituições públicas de investigação como o Ipea indicou o interesse em reflectir sobre como dados e análises nacionais podem alimentar o painel e, simultaneamente, como a participação brasileira poderá enriquecer mecanismos multilaterais de combate às desigualdades.
O modelo do IPI, conforme apresentado por membros do comité fundador, prevê a combinação de investigação académica e diálogo com atores sociais para produzir recomendações que sejam cientificamente robustas e politicamente relevantes. A proposta de o Brasil atuar como caso piloto coloca desafios e oportunidades: por um lado, exige coordenação entre diversos actores; por outro, permite mostrar experiências nacionais e gerar evidência aplicável a outros contextos.
| Elemento | Presença no encontro |
|---|---|
| Abertura institucional | Juliana de Moura Gomes (Ministério das Relações Exteriores) |
| Apresentações técnicas | Julianne Nestlehner (Oxfam Brasil) e Adriana Erthal Abdenur (Comitê Fundador do IPI) |
| Participação de investigação pública | Luciana Mendes Santos Servo (Ipea) |
Os intervenientes sublinharam também a importância de criar canais de interlocução permanentes entre governo, academia e sociedade civil, como forma de assegurar que o Brasil participe «de forma propositiva» em fóruns internacionais sobre desigualdade.
O debate abre um caminho de trabalho conjunto em torno do IPI que deverá envolver a definição de metodologias, a identificação de fontes de dados e a construção de consensos sobre prioridades de investigação — etapas consideradas essenciais para que uma eventual participação brasileira como caso piloto produza resultados fiáveis e relevantes para políticas públicas.