A Ordem dos Médicos identificou uma situação de «preocupante escassez» de médicos no Litoral Alentejano, alertando para o impacto direto desta carência na qualidade dos serviços de saúde disponíveis à população local. O bastonário, Carlos Cortes, fez estas observações no final de uma visita de dois dias à região, durante a qual se reuniu com as administrações da Unidade Local de Saúde e dos centros de saúde de Sines e Alcácer do Sal.
Escassez de profissionais e consequências
Segundo a Ordem, a insuficiência de clínicos está a comprometer o funcionamento normal das unidades de saúde, com repercussões no acesso e na continuidade dos cuidados. A incapacidade de atrair e reter médicos foi identificada como problema central, levando a uma degradação potencial da qualidade dos serviços prestados aos utentes da região.
Habitação como fator limitador
Um dos fatores indicados pela Ordem dos Médicos como agravante da crise é o custo elevado da habitação no litoral. O aumento dos preços no mercado imobiliário dificulta que profissionais de saúde venham estabelecer-se na região e contribui para que médicos já em funções considerem sair em busca de melhores condições noutros locais.
- Região em foco: Litoral Alentejano, com reuniões em Sines e Alcácer do Sal;
- Fonte institucional: bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes;
- Problemas apontados: escassez de médicos e custos de habitação que prejudicam fixação de profissionais;
- Objectivo da visita: sensibilizar autoridades locais para a necessidade de medidas urgentes.
Apelo a soluções concertadas
A visita teve como propósito chamar a atenção das autoridades locais e regionais para a necessidade de encontrar soluções que invertam a tendência actual. A Ordem sublinha que, enquanto persistirem a falta de profissionais e as dificuldades habitacionais, a qualidade dos cuidados de saúde continuará em risco e milhares de residentes poderão ver comprometido o acesso a serviços essenciais.
| Problema | Impacto |
|---|---|
| Escassez de médicos | Compromete qualidade e continuidade de cuidados |
| Habitação dispendiosa | Dificulta atração e retenção de profissionais de saúde |
A Ordem dos Médicos apelou a uma acção concertada entre diferentes actores — administrações locais, tutela nacional e restantes entidades públicas — para mitigar as dificuldades identificadas. Sem medidas que tornem a região mais atractiva, tanto em termos profissionais como habitacionais, mantém‑se o risco de agravamento das desigualdades no acesso aos cuidados de saúde.
As reuniões realizadas com os responsáveis da Unidade Local de Saúde e dos centros de saúde de Sines e Alcácer do Sal decorreram no âmbito de uma visita que teve a duração de dois dias e visou precisamente a recolha de informação de campo e a identificação de prioridades locais que necessitam de intervenção.
Embora a Ordem não tenha divulgado um plano detalhado durante a visita, a mensagem transmitida é de urgência: a conjugação de medidas de plano de recursos humanos, incentivos profissionais e políticas habitacionais adequadas é, na perspectiva da organização, condição necessária para assegurar a sustentabilidade dos cuidados na região.
O alerta lançado pela Ordem dos Médicos insere‑se num quadro mais vasto de preocupações sobre a distribuição desigual de recursos de saúde em Portugal, fenómeno que tem sido referido por várias entidades profissionais e por administrações locais como um dos desafios estruturantes do Serviço Nacional de Saúde.