A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que o tracoma deixa de ser considerado um problema de saúde pública em Timor-Leste, uma validação que resulta de vários anos de investigação, rastreios e medidas de controlo no país.
Validação internacional após investigações e inquéritos
A decisão da OMS assenta em dados recolhidos ao longo de um processo rigoroso. Entre 2015 e 2017 foram realizadas investigações específicas, incluindo rastreios de crianças na Ilha de Atauro e a análise de utentes de clínicas oftalmológicas nacionais, sem detecção de casos activos da doença. Em 2025, foram ainda efetuados inquéritos que incluíram a análise de 4.949 crianças.
| Ano | Tipo de acção | Observação |
|---|---|---|
| 2015–2017 | Investigações de campo | Rastreios na Ilha de Atauro e verificação em clínicas oftalmológicas |
| 2025 | Inquéritos e amostras | Análise de 4.949 crianças |
Reacções das autoridades e da OMS
O director-geral da OMS saudou a conquista, destacando a combinação entre planeamento, investigação e vigilância moderna como factores decisivos. Na nota divulgada pela agência, sublinha-se que este resultado demonstra como sistemas de saúde fortalecidos podem prevenir a cegueira evitável.
«Felicito Timor-Leste por esta importante conquista. Ao combinar um planeamento sólido, uma investigação de campo cuidadosa e uma vigilância moderna, o país demonstrou como a ciência e sistemas de saúde robustos podem proteger as pessoas da cegueira evitável», declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus.
O titular do gabinete regional da OMS para o Sudeste Asiático referiu que Timor-Leste exemplifica como liderança nacional e evidência de qualidade conduzem a ganhos duradouros em saúde pública. Por seu turno, a ministra da Saúde timorense realçou o orgulho nacional pela validação e vinculou o resultado à determinação do país em progredir rumo à cobertura universal de saúde, com um sistema mais equitativo e resiliente.
O que é o tracoma e qual o significado da eliminação
O tracoma é apontado pela OMS como a principal causa infecciosa de cegueira no mundo. A eliminação como problema de saúde pública não significa erradicação total da bactéria causadora, mas sim que a prevalência da forma mais grave da doença e dos sinais clínicos que a tornam uma prioridade de saúde pública caiu abaixo dos limiares definidos pela organização.
- Marco epidemiológico: afastamento do estatuto de problema de saúde pública;
- Implicações práticas: reforço da vigilância e manutenção de serviços oftalmológicos para detectar e tratar casos residuais;
- Objetivo global: constitui um passo para a meta da OMS de eliminar o tracoma a nível mundial até 2030.
Consequências e desafios futuros
A validação da OMS confere reconhecimento internacional ao trabalho desenvolvido em Timor-Leste, mas não elimina a necessidade de vigilância contínua. Para prevenir a reemergência do tracoma, o país terá de manter mecanismos de detecção precoce, acesso a tratamento e intervenções em saneamento e higiene — factores frequentemente associados à transmissão.
Além disso, a conquista regional é descrita pela OMS como um contributo importante para o objectivo de eliminação global do tracoma até 2030. A experiência timorense, segundo a agência, pode servir de modelo para países com desafios semelhantes, nomeadamente pela combinação de evidência científica, liderança política e integração dos serviços de saúde.
Em comunicado, a ministra da Saúde reforçou um apelo à cooperação internacional na área da saúde, sublinhando que a validação evidencia o compromisso nacional com a cobertura universal e a protecção da população, independentemente do local de residência.
O reconhecimento da OMS não só assinala um avanço na luta contra a cegueira evitável em Timor-Leste como também realça a importância de investimentos sustentados em sistemas de saúde e de colaborações entre agências internacionais e autoridades nacionais.