A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou esta sexta-feira que, desde 2018, foram verificados mais de 10.000 ataques contra estruturas de saúde em 29 países e territórios, que causaram cerca de 5.700 mortos e 8.500 feridos. O balanço foi apresentado em Genebra pelo diretor da unidade humanitária e de gestão de catástrofes da agência, Altaf Musani.
Impacto humano e operacional
Segundo a OMS, os incidentes registados desde o início de 2026 somam 914 ataques, que resultaram em 911 mortos e 1.486 feridos, com a maioria concentrada na Ucrânia, no Líbano e nos territórios palestinianos. Outros países onde foram documentados ataques incluem Myanmar, Irão, Sudão, República Democrática do Congo (RDCongo), Sudão do Sul, Rússia, Síria e Nigéria.
Musani destacou que os ataques com armamento pesado têm sido os mais frequentes neste ano, seguidos de obstrução ao acesso aos cuidados de saúde e de formas de violência de natureza psicológica. A OMS contabilizou também pelo menos 44 incidentes relacionados com rapto, detenção ou prisão de profissionais de saúde e de doentes, envolvendo um total de 148 pessoas.
«Dos mais de 10.000 incidentes verificados, nenhum deu origem a processos judiciais», lamentou o responsável da agência.
Consequências além das vítimas imediatas
O relatório sublinha que o impacto de um ataque a um hospital ultrapassa as vítimas presentes no momento do incidente. Musani explicou que essas agressões comprometem cadeias logísticas, atrasam ou inviabilizam evacuações, impedem profissionais de regressarem ao trabalho e interrompem a distribuição de medicamentos a outros estabelecimentos de saúde.
A OMS indicou ainda que, na Faixa de Gaza, a totalidade dos 36 hospitais foi danificada antes do final de 2025. Na Ucrânia, desde a invasão russa em 2022, a agência registou mais de 3.000 ataques, incluindo um que atingiu o seu próprio armazém em Dnipro, destruído recentemente. Na RDCongo, foram reportados 12 ataques contra centros de saúde desde o início do atual surto de Ébola, em maio.
Dados principais
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Incidentes verificados (desde 2018) | >10.000 |
| Mortos (desde 2018) | ~5.700 |
| Feridos (desde 2018) | ~8.500 |
| Incidentes em 2026 | 914 |
| Mortos em 2026 | 911 |
| Feridos em 2026 | 1.486 |
Proteção legal e exigência de responsabilização
A OMS recordou que os estabelecimentos de saúde, os profissionais e os pacientes estão protegidos pelo direito internacional humanitário e pelas Convenções de Genebra, bem como pelos direitos humanos. Contudo, a agência sublinha a ausência de responsabilização judicial: nenhum dos incidentes verificados desde 2018 resultou em processos criminais conhecidos, segundo Musani.
Entre as formas de ataque documentadas, a agência apontou o uso de armamento pesado, bloqueios a serviços médicos e actos de violência psicológica. A persistência e a gravidade destes atos levantam preocupações sobre a capacidade dos sistemas de saúde de responderem a crises, a continuidade dos cuidados básicos e a segurança dos profissionais em teatro de conflito.
- Países mais afetados: Ucrânia, Líbano, territórios palestinianos.
- Tipos de ataque: armamento pesado, obstrução de serviços, violência psicológica, raptos e detenções.
- Preocupação central: ausência de processos judiciais contra responsáveis por estes ataques.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, tem insistido na necessidade de que unidades de saúde não sejam alvo de hostilidades, sublinhando a obrigação de proteção prevista no direito internacional. A divulgação destes dados pela OMS visa chamar a atenção para a dimensão global do problema e para a urgência de medidas que garantam a segurança e a continuidade dos cuidados em zonas afetadas por conflitos e crises humanitárias.
As informações foram transmitidas pela OMS numa conferência de imprensa em Genebra e baseiam-se em registos e verificação de incidentes recolhidos pela agência desde 2018 até aos números mais recentes de 2026.